segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Não há palavras



Completando 60 anos em 2010, o velho Maraca é o estádio brasileiro que, com certeza, mais recebeu craques do futebol. Tanto pela seleção brasileira ou clubes cariocas, por ali estiveram o que já houve de melhor. Nilton Santos, Garrincha, Didi, Carlos Alberto, Rivelino, Dinamite, Junior, Renato, Romário. Pelé, o maior e mesmo não jogando por um clube do Rio, também ajudou a escrever a história do Maracanã, como no capítulo do milésimo gol do Rei.

Mas há alguém que representa ainda mais. Aquele que melhor traduziu a atmosfera do maior estádio, da maior torcida, do melhor futebol. Aquele que mais marcou gols no Maracanã. Aquele que fez os melhores jogos da carreira no velho Mário Filho.

Não há como lembrar do Maracanã sem pensar em Zico, em seus anos de Flamengo, dos grandes jogos pela seleção, dos golaços. Ainda não tive a oportunidade de fazer uma visita ao Maraca, mas quando por lá estiver Zico também estará, verdadeiramente presente, para ser lembrado sempre, a cerca de um metro do chão, imortalizado num gol de voleio.

Merece.

domingo, 20 de dezembro de 2009

O futebol do final de semana (e do ano)


Melhores do mundo

Era um Barcelona tímido, como fora em 1992 e 2006. Parece que jogar fora da Europa não é muito a do clube. Contra um bravo Estudiantes, o time espanhol estava numa tiriça daquelas e merecia perder pelo que fez (ou deixou de fazer) no primeiro tempo. Sabendo que não tinha elenco para brigar de igual pra igual, El Pincha fez o que pode para segurar o Barça: marcou muito e apostou nos contra-ataques. Foi um grande gol de Boselli. Na segunda etapa, o Barcelona jogando apenas com um pouco mais de vontade já fazia o suficiente para envolver o time argentino. Era só lembrar que tinha o melhor ataque do mundo. Mesmo assim, foi duro arrancar o empate, que só veio no final da segunda etapa, com o atacante Pedro. Contra um Estudiantes agonizando e com Verón já sem forças, o time espanhol sobrou na prorrogação e chegou ao título com um gol de peito do melhor do mundo, Messi. Quase deu ainda para El Pincha no final da prorrogação com uma cabeçada de Desábato (sim, aquele mesmo que chegou a ser preso no Brasil por ofender o atacante Grafite), mas já era tarde.

Não sei se foi pelo fato do Estudiantes estar no fim da temporada e o Barcelona apenas chegando à metade, mas a diferença de preparo dos times era gritante. Enquanto Verón e seus valentes companheiros se arrastavam na prorrogação, Messi, Ibrahimovic e Xavi pareciam que tinham acabado de entrar. Não podemos dizer que faltou qualidade técnica ao Barcelona, apenas esta deixou de ser exibida em larga escala na partida, sendo suprida pelo preparo físico de seus atletas. Ao Estudiantes, que já sabia da superioridade do adversário, restava correr, marcar, tentar. Quase deu. Faltou gás. Mas foi um bom rival.

Ao Barcelona, os méritos pelo sexto título na temporada. Messi, novamente marcando em uma decisão, chega ao topo do mundo e amanhã, merecidamente, receberá o prêmio. O jogo em si foi chato, mas, ao menos, o gol saiu do peito do melhor do mundo.

Meninas, eu vi (de novo)!

Era um Pacaembu cheio, como estamos acostumados a ver. Não era jogo do Timão, ou de outro clube paulista. Também não era o público tradicional, das torcidas organizadas. Era um público que estava lá para curtir a tarde, um domingo de sol, um entretenimento, um bom jogo de futebol. Um novo encontro entre o Pacaembu e a seleção brasileira. Feminina.

Não era o Barcelona, mas estavam ali as melhores do mundo. E até que o estilo de jogo de Marta e Cristiane lembra o da dupla Messi e Ibrahimovic, respectivamente. Que jogadas as duas fizeram! Também não era o Estudiantes, mas a seleção mexicana estava na mesma situação que a equipe argentina; eram as ‘azaronas’. E saíram na frente, abrindo o placar com um golaço de Dinorá. Mas logo a seleção brasileira reagiu e terminou o jogo goleando as mexicanas por 5 x 2, conquistando o título do Torneio Cidade de São Paulo.

É ótimo que estas meninas e a seleção joguem amistosos, torneios, campeonatos aqui no Brasil e agreguem carinho, respeito e admiração dos torcedores. E, com o tempo, o público vai se acostumando com o futebol feminino, com os times de São Paulo, do Brasil. É trabalho a longo prazo, e não algo que acontece de imediato, apesar do pedantismo de Luciano do Valle.

E como disse o Neto durante a transmissão, aos poucos aprendemos a assistir e comentar o futebol feminino. Vontade ali sobra. As faltas que acontecem, por exemplo, são em sua maioria por excesso de vontade das meninas nas jogadas. E o melhor de tudo é que não há ‘presepeiras’, mascaradas, mal-humoradas, ranzinzas, picaretas. É outro universo, com certeza mais humanizado.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Libertadores 2010 só no Sportv

Esta foi enviada pelo colega Alex Roa. Não sabemos quem foi o 'artista-editor', mas a sacada foi bem legal. Os palmeirenses têm muito a lamentar, afinal, não sobrou nem vaga para Libertadores.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O melhor do Brasil

Foi legal ver o Flamengo campeão brasileiro, voltando a ganhar um título nacional 17 anos depois de sua última conquista. Maracanã lotado, aquela massa toda comemorando, algo simbolicamente muito bonito que rememora os grandes confrontos das décadas passadas. Mas acho que ficamos apenas nisto. Não há mais Zico duelando com Reinaldo, Zico dando caneta em jogador gremista, Leandro entrando como um foguete na área, o jovem Bebeto voando, o vovô Junior levitando.

Petkovic faz por resgatar os bons tempos do rubro-negro e é um dos poucos que contribuem para a sobrevivência do futebol no Brasil. É muito bom que Pet ainda esteja jogando se pensarmos que o torneio teve em sua seleção do campeonato jogadores como Guiñazu e Diego Tardelli. E Diego Souza escolhido como craque da competição.

O título ficou em boas mãos. Despretensiosamente, o Flamengo foi se aproximando dos líderes, que ao longo do torneio foram definhando um a um (o Palmeiras tem muito a lamentar), e já se dava por satisfeito com uma vaga na Libertadores. Foram tantos os vacilos dos concorrentes que a chance real de título pintou nas últimas três rodadas. Em um campeonato marcado pelo equilíbrio, no qual nenhum time obteve destaque ao longo de toda a competição, o Mengão foi o time da chegada, obtendo os melhores resultados na reta final.

Disse que ficou em ‘boas mãos’ porque o Flamengo é algo único no Brasil. Algo que os torcedores das mais diferentes equipes gostariam que seus times do coração fossem. O mais popular, de maior torcida, o mais amado. Diria que o Mengão é o time da integração nacional, que une os cantos deste país. Mesmo que o time não seja nenhum esquadrão e não faça sombra aos grandes elencos do passado, este título foi importante para despertar um gigante adormecido, cuja importância foi sendo dilacerada ao longo dos anos por más administrações, e que pouco freqüentou as grandes decisões nos campeonatos nacionais nos últimos 15 anos.

Um gigante que, por um longo período, se esqueceu de que é ainda o maior do Brasil.


P.S. Sempre quis assistir a uma decisão de título ou um confronto decisivo entre Flamengo e Corinthians. Mas quando um está bem, o outro está mal das pernas. Nunca se enfrentam pra valer mesmo. Já se passaram 25 anos das quartas-de-final do Campeonato Brasileiro de 1984 (quando o Corinthians goleou o Flamengo no jogo de volta por 4 x 1) e 18 anos da Libertadores de 1991 (o Mengão fez 2 x 0 no Timão ainda pela fase de grupos). Falta combinar mais entre eles. Quem sabe no ano que vem.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Velocidade nas ruas de São Paulo?

Esta semana a Prefeitura de São Paulo anunciou oficialmente que Sampa receberá a primeira etapa da Fórmula Indy em 2010, que ocorrerá em março. O Brasil já tinha sido confirmado no calendário da Indy para o ano que vem, mas ainda pairavam dúvidas sobre a realização do evento. Cogitaram Ribeirão Preto, Salvador, Rio de Janeiro, mas nada concreto, faltou dinheiro. Eduardo Paes, prefeito do Rio, pulou fora na última hora. Já era dado como certo que não haveria prova. Mas eis que chegaram a um acordo os representantes da Indy no Brasil, os donos do grupo Bandeirantes (ou Band) e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para que a corrida aconteça em São Paulo em um surpreendente "circuito de rua".

Por forças contratuais, Interlagos não pode receber uma categoria internacional que não seja a Fórmula 1. E como não há outro espaço destinado à corrida de carros (não estou falando de ‘rachas’) que não seja o bom e velho Autódromo José Carlos Pace, a Prefeitura terá que se virar para arranjar um espaço nas suas tumultuadas ruas e avenidas para abrigar a etapa.

E não se trata apenas de escolher um trajeto de pista para os treinos e corrida. Será necessário fazer toda uma 'remodelação' da área escolhida, fechando vias, rebaixando calçadas, criando zebras, derrubando árvores, montando guard hails, alambrados e arquibancadas, quebrando asfalto velho, fazendo asfalto novo (e desta vez precisará ser decente) e sistema de escoamento de água que funcione realmente, fora a estrutura dos boxes, área de imprensa etc. São só algumas das obras, mas todas estas demandam tempo e são apenas mais três meses até a corrida. E a cidade não vai poder parar para a realização das obras.

Parece coisa mal planejada, de última hora mesmo.
Bem diferente da situação de 1990, quando o Brasil corria sério risco de perder seu GP de F-1 e a ex-prefeita Luiza Erundina* topou o desafio de reformar Interlagos, mas com dinheiro do setor privado. Não se usou dinheiro público.

Pior é imaginar uma única área em São Paulo que comporte o GP. Alguém consegue imaginar um único traçado pelas ruas paulistanas que acomode carros de corrida transitando a 250, 300 km/h? Marginais, Avenida Paulista, 23 de Maio, Radial Leste, Rodoanel, 25 de Março, Rua Augusta? Parece irônico falar de alta velocidade e carros de corrida nas ruas de Sampa. E se for para se prevenir das chuvas, o traçado deve passar longe do Aricanduva e Avenida do Estado.

Seja marketing eleitoreiro, seja lobby da emissora paulista (bandeirante), o fato é que aqueles que já reclamam do trânsito lento e dos intermináveis congestionamentos terão que se preparar para o fechamento de importantes vias por um grande tempo. Para receber a Indy, os paulistanos vão ter que aturar um caos a mais. Creio que a Prefeitura poderia investir melhor o dinheiro que desembolsará para fazer a corrida.

Como deixei São Paulo há tempos, não tenho carro e quando por lá estou sempre utilizo o transporte coletivo, não me incomodo nem um pouco com a Indy. Não sou dos maiores fãs de corridas de carros, tampouco simpatizo com grandes obras viárias que privilegiam o transporte individual, espécie de ‘malufismo’ ainda presente nas campanhas políticas para conquistar o eleitorado paulistano. Não me incomodaria se as ruas de São Paulo fossem remodeladas para a Indy, mas também para os ônibus, táxis, trólebus, trens de superfície. Devo dizer também que não sou contra transporte individual. Adoro bicicletas.


P.S. Deixo a cargo dos leitores o trabalho de imaginar o traçado da pista nas ruas de São Paulo, se isso for possível, claro.


*A deputada federal Luiza Erundina participou dos três dias da 1ª Conferência Paulista de Comunicação, realizada nos dias 20, 21 e 22 de novembro, e é representante titular do Poder Público na Comissão Organizadora da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que ocorrerá em dezembro, em Brasília. Emocionou a todos em seus discursos e foi, com certeza, a campeã de aplausos na etapa paulista. Fica aqui uma homenagem à nobre deputada e ex-prefeita. Sim, São Paulo já teve uma grande representante no poder executivo.

domingo, 8 de novembro de 2009

Allons enfants de la Patrie

O Doutor Sócrates já havia cantado a bola algum tempo atrás: a seleção francesa só conseguiu fazer frente às grandes seleções quando teve um jogador muito acima da média. Que, quando precisasse, jogasse pelos outros dez. Foi assim com Fontaine, Platini, Zidane. O primeiro levou a França a uma inédita terceira colocação na Copa de 1958, na Suécia. Não pode disputar a final porque no meio do caminho tinha uma 'pedreira', com Pelé, Garrincha, Didi e cia. Os outros dois foram além, conquistando uma Eurocopa cada um. Zizou foi mais além, disputando duas finais de Copa do Mundo e conquistando o primeiro título da França em mundiais.

Destes três, sou contemporâneo apenas de Zizou, mas concordo com a tese do Doutor. Fontaine foi o precursor, colocou a França no mapa do futebol, sendo até hoje o maior artilheiro em apenas uma edição de Copa do Mundo. Depois, um vácuo até Platini, craque que disputou duas semifinais de Copa, em 1982, na Espanha, e 1986, no México, mas não deu sorte contra os alemães nas duas oportunidades. Após Platini, um vácuo de duas Copas sem a participação da seleção francesa, perdendo a vaga para a Escócia em 1990 e Bulgária em 1994.

Contudo, surgiu Zidane para recolocar a França novamente na elite do futebol. Foi o maestr
o da seleção francesa campeã do mundo em 1998, campeã européia em 2000, vice-campeã do mundo em 2006. E mesmo que estas equipes contassem com bons jogadores, dependiam de Zizou para conduzir o time, organizar o jogo, ser referência (com certeza, um dos melhores que vi jogar, talvez o melhor). Era o dono do time; sem ele, era dificuldade à vista. Foi assim em 1998, após pisotear um árabe e ser expulso, quando ficou fora de dois jogos da Copa - contra o Paraguai, a salvação veio em um 'gol de ouro' no segundo tempo da prorrogação. Em 2002, com o maestro machucado, eliminação dos campeões do mundo na primeira fase. Nas Eliminatórias da Copa de 2006 a classificação só chegou após Zizou reverter sua decisão de não jogar mais pela seleção.

Que me perdoem Kopa, Giresse, Tigana, Deschamps, Henry, todos excelentes jogadores, mas, se a França hoje é considerada uma potência no futebol, isto se deve ao trio Fontaine-Platini-Zidane. Sem estes, creio que os gauleses teriam conseguido resultados bem mais modestos, talvez nem fossem campeões continentais ou mundiais. E olha que a França ainda conta com jogadores oriundos de suas ex-colônias na África e América para incrementar o elenco (olha o Zidane novamente!).

O fato é que os franceses novamente passam por maus bocados nas Eliminatórias. Para ir à Copa de 2010, a França precisa passar pela Irlanda na repescagem (jogos de ida e volta na próxima semana), pois ficou em segundo lugar em seu grupo, perdendo a vaga direta para a Sérvia (e isso sem contar com o craque Petkovic!). Tenho certa simpatia pela seleção francesa e, assim, vou torcer para que os ótimos Henry e Ribery conquistem essa vaga, joguem estas partidas da repescagem como uma final de Copa, façam uns de seus melhores jogos da carreira, arrebentem mesmo, honrem a tradição desta camisa de Fontaine, Platini e Zidane. Porque a Irlanda.... a Irlanda ninguém merece.


*Abaixo, um pouco dos últimos momentos de brilho de uma seleção conduzida pelo último de seus gênios




sábado, 31 de outubro de 2009

Gringo

A fala é de tom baixo, o sotaque é carregado. Para um jogador do leste europeu, fala um português excelente. Mas isso não aconteceu de uma hora para outra. Saiu do Estrela Vermelha, da ex-Iugoslávia, para ir jogar no poderoso Real Madrid. Jogou ainda no Sevilla e Racing Santander antes de chegar em terras brasileiras. Chegou e logo se adaptou ao futebol brasileiro jogando pelo Vitória, conseguindo uma quarta colocação no campeonato brasileiro de 1999. Foi para o Rio de Janeiro. Aí, não teve jeito, gostou.

Deján Petkovic, jogador sérvio de técnica apurada, foi o grande nome do time do Flamengo do começo da década. E é o grande nome do time do Flamengo neste final de década. Neste hiato, jogou por outros times brasileiros, como Vasco, Fluminense, Santos, mas sem o mesmo brilho que apresentou no rubro-negro. Podemos nos perguntar por que um jogador sérvio, e agora considerado velho para o futebol, fez e faz sucesso no Brasil. Talvez porque a formação de base dos jogadores brasileiros é fraca, só sabem driblar. Não sabem dar um passe, bater um escanteio, cobrar uma falta, fazer um lançamento. E Pet reina absoluto nestes quesitos. Tem qualidade suficiente para jogar no Real Madrid e desbancar Guti, Drenthe e outros que lá estão. Infelizmente, agora não é mais possível.

Mais interessante que o sucesso de Pet no Brasil é sua trajetória. Dificilmente um jogador europeu sai da Europa para ir jogar em outro continente (e no Brasil!), ainda mais alguém com passagens por grandes clubes. No futebol brasileiro vários estrangeiros fizeram sucesso e podemos lembrar de Pedro Rocha, Figueroa, Darío Pereyra, Fillol, Rodolfo Rodríguez, Rincón, Gamarra, Tévez, todos sulamericanos. Não me recordo de nenhum estrangeiro vindo de outro continente que tenha jogado tanta bola como Petkovic.

Também são poucos os jogadores sérvios que me recordo: Mijailovic, Mijatovic, Savicevic, Kesman, Stankovic. Com certeza, Petkovic poderia ter jogado muito tempo na seleção sérvia, disputado Copas, pois é um jogador diferenciado. No Brasil, são dos poucos que ainda nos fazem assistir partidas para prestar atenção no jogador em si.

Como bom estrangeiro que é, encantou-se pela cidade maravilhosa e por lá pretende continuar. Virou cidadão carioca. Pelo futebol até engana, mas o sotaque não nega: é gringo.


terça-feira, 20 de outubro de 2009

O PiG de Barrichello

Não me tornei fã de Fórmula 1, apesar de lembrar de grandes corridas de Ayrton Senna. Talvez pelo ufanismo exagerado com o qual a Globo sempre tratou do assunto. Sempre achei que não era para tanto. Apenas cito isso para recomendar o excelente texto do Flávio Gomes (creio que é a pessoa que melhor escreve sobre automobilismo no Brasil) sobre a desonesta e farsante cobertura 'jornalística' da Globo na Fórmula 1 e como ela inseriu Rubens Barrichello nisso, prejudicando o próprio Rubinho, criando e vendendo uma imagem daquilo que o piloto não é e não foi. Vale a pena conferir.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O que vale na "comemoração" do gol? (2)


O fotógrafo conseguiu registrar um momento bastante singelo, muito bonito mesmo.


Em tempo: o Boca Juniors perdia para o Vélez Sársfield por 2 a 1, em plena Bombonera, até que, após uma linda jogada de Insua, Riquelme ajeitou a bola na entrada da área e mandou a bola no ângulo para empatar a partida. Mas o lance mais inusitado, que gerou o belo registro acima, surgiu de uma bola quase perdida, num chutão da defesa do Boca para o ataque. Depois de uma rebatida equivocada do goleiro Montoya, Palermo, 'el optimista del gol', acertou um 'cabezazo' a cerca de 40 metros do gol. Um golaço inédito, inacreditável.

Depois veio a comemoração, a foto, que para analisá-la devemos lembrar de alguns fatores.

Palermo e Riquelme convivem no Boca Juniors sem qualquer laço de amizade desde a primeira passagem de ambos pelo clube. Não são próximos, pouco se falam, mas se respeitam. Algo absolutamente normal, são cabeças que pensam diferente e ponto. E a dupla funciona dentro de campo, que é o mais importante.

Apesar da falta de vínculos afetivos, os dois foram capazes de externar toda felicidade que o lance proporcionou, aumentada pela verdadeira 'loucura' que foi o gol de Palermo. Ali era alegria verdadeira, sem qualquer espaço para ressentimentos. Ali estavam os protagonistas da partida, sorrindo um para o outro, unidos, algo que só o futebol e o momento do gol poderiam proporcionar. Se após o jogo cada um foi para seu lado, não cabe a ninguém julgar. O que realmente interessava já havia acontecido, dentro de campo, quando o abraço sincero ocorreu.

Em tempo: Palermo recebeu o cartão amarelo por tirar a camisa. A FIFA e os árbitros realmente não possuem sentimentos. Nem diante da beleza.



sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O que vale na 'comemoração' do gol?

Sem dúvidas, o gol é o grande momento. E o instante seguinte ao gol reflete um estágio interessante: aquilo que sentimos ao mandar a bola para o fundo das redes. Pode ser euforia, alegria, satisfação, raiva. Às vezes, não sabemos para onde correr, quem abraçar, o que pensar, o que fazer. Uns vibram mais, outros menos; para cada um, o gol tem um significado diferente e isto se reflete no jeito que cada um “comemora”, ato natural, na maioria das vezes, que é cada vez mais patrulhado, seja pelas regras, torcida ou mídia.

Por que não se pode tirar a camisa para comemorar? A quem interessa a punição ao jogador? Seria um ato desrespeitoso? Seria lobby de patrocinadores? Se o jogador tiver vontade de tirar a camisa, tire-a. Os atletas são filmados em diferentes closes durante a partida, os gols e melhores momentos são repetidos à exaustão nos diversos noticiários e programas esportivos, os lances polêmicos são mostrados dezenas de vezes e o patrocinador aparece do mesmo jeito. Não prejudica em nada, não fere ninguém. Quem inovou e evitou transtornos com o patrocinador foi o montenegrino
Mirko Vucinic, atacante da Roma, que tirou o calção ao marcar o gol da vitória contra o Cagliari, pelo Campeonato Italiano. Arrancou boas gargalhadas do público e do árbitro, mas foi punido com cartão amarelo.

Por que não se pode desabafar? Imagine a cabeça de um jogador que foi vaiado o jogo inteiro, ou desperdiçou uma cobrança de pênalti, ou ainda marcou um gol contra. E se anotar um gol e vier a desabafar será considerado um mal-educado, sem respeito, descontrolado, grosseiro, somente por descarregar a pressão emocional. O próprio soco no ar de Pelé, que para muitos é das comemorações mais singelas, surgiu em um momento de perturbação, quando o “Rei” era vaiado por torcedores do Juventus, na Rua Javari, até fazer um gol maravilhoso (aquele mesmo em que Pelé “chapelou” quatro jogadores em seqüência). Daí, não teve dúvidas, partiu pra cima da torcida, socando o ar e gritando: “Seus f. d. p.!”.

Por que a comemoração ou vibração deve ser efusiva? Não se pode obrigar alguém comedido, tímido, com dificuldades de externar emoções a vibrar intensamente. A postura e os sentimentos de cada um devem ser respeitados. Riquelme, por exemplo, é criticado por não vibrar muito, mas se trata apenas de um rapaz tímido, centrado, que tem até dificuldades de fazer amizades. A torcida do Corinthians teve dificuldades de entender o jeito comedido de Sócrates, pois não era muito a do Doutor sair pulando no alambrado. E falar o quê do futebol de Riquelme e Sócrates?

Excetuando os apelos de marketing pessoal e religioso, ou ainda as coreografias de mau gosto, o instante após o gol costuma ser bastante autêntico, imprevisivel. E cada jogador trabalha as emoções de maneiras diferentes, pois possuem perfis distintos. Não sabemos o que se passa na mente de cada um naquele momento. Por isso, é um pouco exagerado distribuir cartões amarelos a atletas que tiram a camisa ou simplesmente desabafam depois de marcar um gol, pois, em sua maioria, são atos puramente emocionais.

O braço erguido de Zico e Sócrates, o choro de Maradona, as estripulias de Túlio Maravilha, a explosão de Edmundo, os deslizes de joelho de Neto são deflagrações de diferentes estágios de euforia inerentes à personalidade de cada um. De fato, conhecemos parte desta personalidade dos jogadores justamente no momento do gol, sendo possível decodificar os diferentes tipos: emotivos, extrovertidos, introvertidos, reservados, explosivos, fanfarrões, tontos, mascarados.

Esse instante que sucede o gol é algo bem pessoal, com seu valor simbólico para o autor do gol e para quem está assistindo. E se o que move o espetáculo é a emoção em seus diferentes níveis, definitivamente, o futebol não precisa de ‘catalisadores’, como certas proibições, restrições ou reprovações. Afinal, jogadores de ‘plástico’ com emoções controladas os videogames oferecem melhor.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pelé Santana

Em comemoração dos seus 40 anos, a TV Cultura vem presenteando os telespectadores com o melhor de sua memória televisiva, incluindo também grandes momentos e personagens do esporte brasileiro. Semana passada (28/08), foi a vez de reprisar o programa Roda Viva com o mestre Telê Santana, exibido em 1992.

Não conhecia muito sobre Telê e o que pensava sobre o futebol. Foi ótimo para reviver um pouco daquilo que um dia tivemos. Entre os diversos assuntos tratados, fazendo um apanhado geral, podemos tirar algumas conclusões e dizer que Telê era um sujeito que:

1) não aceitava que um jogador viesse da base sem saber o básico, que era saber chutar, passar, dominar e cabecear uma bola;

2) se envergonhava, por exemplo, ao ver um jogador como Cafu errar um cruzamento jogando pela seleção brasileira, pois se sentia responsável pela formação do jogador;

3) não ficava feliz ao vencer uma partida quando seu time não fazia por merecer (disse que ficaria envergonhado se sua equipe ganhasse uma partida aos 47 minutos do 2º tempo, com um gol de mão, em posição de impedimento);

4) cobrava o bom estado dos gramados para poder cobrar dos jogadores;

5) achava que conseguiu extrair o máximo de Sócrates e Raí;

6) achava que Neto era um jogador de grande qualidade, mas que precisava melhorar;

7) gostaria de ter dirigido a Holanda de 74 (admirava a movimentação dos jogadores que atuavam em qualquer posição);

8) não preferia jogar bonito e perder ou jogar feio e ser campeão;

9) era a favor "de quem sabe jogar, de quem tem técnica";

10) não voltaria a ser técnico da seleção brasileira, pois sofreu demais;

11) perdeu muitos amigos enquanto foi técnico da seleção;

12) ganhou medalha no Uruguai por reconhecimento ao futebol apresentado pela seleção brasileira na Copa de 1982;

13) sentia-se magoado pela falta de reconhecimento dos brasileiros pelo seu trabalho na seleção;

14) não se considerava um "pé frio";

15) se emocionava bastante;

16) não se sentia realizado, achava que ainda faltava muita coisa, queria sempre mais;

Foi possível entender um pouco da mentalidade de Telê. Seu pensamento estava além das vitórias justas ou derrotas injustas. Queria sempre o máximo de seus jogadores e sua felicidade era ver o resultado dos treinamentos convertidos em qualidade para o time. Recordamos claramente dessa qualidade ao rever os jogos da seleção de 82 e da felicidade ao recordarmos o sorriso do treinador após o gol de Raí contra o Barcelona. E por levar o trabalho muito a sério, não foi capaz de perdoar Renato Gaúcho no episódio que envolveu o corte do jogador antes da Copa de 1986, quando a seleção brasileira ficou sem um dos seus melhores atacantes.

A parte mais emocionante do programa foi quando Telê falou de seu desapontamento com o futebol. Pela primeira vez contava publicamente que, ao retornar para o Brasil após a Copa de 1986, seu pai encontrava-se com problemas graves de saúde e veio a falecer. E em uma partida do Atlético Mineiro, já como treinador do Galo, ouviu das arquibancadas que ele havia matado o próprio pai de desgosto. Foi a desilusão de Telê com o futebol.

Definitivamente, não sabemos valorizar e reconhecer o que temos ou tivemos de melhor. Mas aqui fica uma ótima lembrança "produzida" pelo mestre Telê e seus discípulos, que para muitos foi a última expressão coletiva do que costumavam chamar de futebol.





sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O “fenômeno” Zina e a tragédia humana

O torcedor corinthiano Marcos da Silva foi assistir à partida entre Corinthians e Botafogo-SP, válida pelo Campeonato Paulista, no estádio do Pacaembu. Estava na praça Charles Miller, no meio da multidão que aguardava o horário do jogo. Lá também estava a equipe do programa Pânico na TV, em campanha por uma entrevista com o jogador Ronaldo “Fenômeno”, e que naquele dia colhia declarações dos torcedores para a estréia do atacante no Timão. Quis o destino que Marcos fosse um dos entrevistados pelo Pânico e, quase sem querer, surgiu mais um “fenômeno” midiático para a turma de Emílio Surita.

Marcos transformou-se em celebridade instantânea com apenas uma frase: “Ronaldo” (e a espécie de subtítulo “brilha muito no Corinthians”). Virou hit no You Tube, toque de celular, estampa de camiseta. O hit “Ronaldo” tornou-se uma espécie de interjeição na linguagem cotidiana, turbinado pela exposição massiva do vídeo no Pânico na TV. Uma espécie de Susan Boyle brazuca. De maneira indireta, Ronaldo, o jogador mesmo, ganhou ainda mais popularidade.

Mais curioso ainda é pensar que Marcos fez sucesso por meses sendo um anônimo, sem que ninguém soubesse seu nome, quem era, de onde surgira. Era só o cara que dizia “Ronaldo”. Mas a fama estava só começando. Depois de seguidos insucessos na tentativa de falar com Ronaldo, a turma do Pânico resolveu ir à procura da pessoa que, indiretamente, era responsável por injetar ainda mais notoriedade ao jogador (e ao programa, por tabela). O personagem Alfinete foi à periferia da zona norte de São Paulo para tentar encontrar o “desconhecido” mais famoso do país e levá-lo para um encontro com Ronaldo. Achá-lo não foi difícil, dada a “popularidade” de Marcos. E, pela primeira vez, foi possível conhecer quem era aquele rapaz da frase famosa.

Marcos da Silva é mais conhecido como “Zina” e trabalha como vigilante e guardador de carros em seu bairro. Sua mãe, que tem problemas de saúde, pagava o aluguel do pequeno quartinho onde morava. A fala de Zina combina momentos de lucidez com devaneios, altos e baixos, e seu aspecto cômico aparece justamente nos instantes de menos brilho e mais fantasia (não sabemos se a “galera da xurupita” realmente existe, mas o rapaz se recorda perfeitamente de um lance do jogo entre Corinthians e Palmeiras pela Libertadores). Aparenta ter problemas psiquiátricos, talvez decorrentes do uso de álcool ou drogas. Por vezes, os tragos no cigarro são seguidos de um silêncio profundo.

Alfinete, estereótipo de torcedor corinthiano, estilo “mano” falando gírias, e Sabrina Sato, mulherão, torcedora do Timão e integrante da Gaviões da Fiel, encontraram em Zina o torcedor mais caricato possível para compor o trio nos quadros do programa. Pobre, feio, maloqueiro, sem lugar para morar, de fala truncada, meio louco, o corinthiano ‘perfeito’ para quem está assistindo, seja pela identificação com a Fiel, seja pelo reforço do preconceito e estigmatização presentes no imaginário coletivo das outras torcidas.

Contudo, mesmo com o talento da trupe de Emílio, a espécie de humor do Pânico na TV é bem duvidosa, pois beira o sadismo, sem limites a serem respeitados. Não é o sensacionalismo de Gugus, Ratinhos e Datenas, parece ainda mais cruel, pois, além de não ter a dimensão do que ocorre a sua volta, Zina precisa ‘sangrar’ para render audiência ao programa e esse sangramento significa render piada em todos os domingos. Nesse giro, o rapaz conheceu Ronaldo e Pelé, já encontrou com vários artistas, foi à quadra da Gaviões, ficou conhecido entre os torcedores, foi em treino no Parque Ecológico, foi despejado, arrumou outro quarto para morar de favor, passeou de helicóptero. Entretanto, a exposição de sua imagem no programa o qualifica como um personagem, fora da realidade e esvaziado enquanto sujeito. Junto ao público, tende a se confundir com Alfinete e Sabrina, embora estes últimos sejam personagens. A tragédia de Zina é real.

A última campanha do Pânico consistia em arrecadar fundos para a compra de uma casa ao rapaz, e durante semanas percorreram diversos eventos para levantar a verba. Por fim, o presidente da Redetv!, Amilcare Dallevo, comprou a casa para Zina e ainda arrumou emprego para ele no programa. Fora a preocupação com a audiência (o Pânico ficou em primeiro lugar no último domingo), poderia ir além disso e se preocupar também com a saúde dele, arranjando-lhe um médico, um psicólogo, um tratamento. Não é nada se comparado à audiência proporcionada pelo cara da frase "Ronaldo".

Zina enquadra-se nas categorizações que discuti recentemente com os amigos Cláudio e Luiz, considerando que uma pessoa pode estar "na moda", "na mídia" ou "nas ruas". Zina era só mais um anônimo, perdido entre a massa em um jogo de futebol, e por um acaso da vida foi parar diante das câmeras do Pânico. Ganhou "a mídia", está "na moda". Como a maioria dos fenômenos midiáticos, quando sua imagem se desgastar, será esquecido aos poucos, sairá "da moda" e voltará "às ruas". Em que condições não sabemos. Que São Jorge o proteja.

sábado, 1 de agosto de 2009

Meninas, eu vi

Vi, sim. Era um sábado, lá pelas dez horas da manhã. Passeava pelos canais sem nada encontrar, até que parei na Rede Vida, que transmitia o jogo entre Juventus e São Bento, na Rua Javari, válido pelo Campeonato Paulista Feminino. Confesso que nunca dei atenção ao futebol feminino, mesmo aos campeonatos envolvendo seleções. Claro que jamais encontraria padrão de jogo e nível técnico igual ao futebol masculino, dadas as diferenças de musculatura, biotipo, treinamento e nível de desenvolvimento da modalidade entre homens e mulheres. Mas aquela partida me fez pensar muitas coisas, não só sobre a desigualdade de condições existentes no futebol feminino no Brasil, mas também sobre um ponto em que as meninas estão muito avançadas em relação aos homens: mentalidade.

São Bento e Juventus eram as duas piores equipes do Grupo 2, sendo que o time da capital paulista ainda não tinha vencido na competição. Após a expulsão da jogadora Pâmela, do São Bento, o time da Mooca passou a jogar com tranquilidade e abriu o placar com a meio-campo Bruna, ainda no primeiro tempo. Terminada a primeira etapa, o repórter da emissora foi atrás das protagonistas da partida e as palavras das meninas demonstravam muito mais que o esforço promovido dentro de campo.

Não havia reclamações, lamentações, queixas com a arbitragem, com a vida. Sobravam simpatia, lucidez, consciência. Eram meninas orgulhosas por estarem estudando, fazendo faculdade, cursando administração, marketing, educação física, ou ainda terminando o ensino médio (as mais novinhas tinham apenas 15 anos). E estavam felizes simplesmente por praticarem o esporte. As jogadoras do São Bento entrevistadas demonstravam calma e tranquilidade, e nem parecia que tomaram sufoco das adversárias no 1° tempo. Se houve lamentação, era pelas companheiras que não puderam viajar para aquela partida. Nem parecia que as duas equipes tinham as piores campanhas do grupo.

Na segunda etapa, as meninas do Juventus voltaram a dominar o jogo e fizeram mais três gols, dois de Fran e um de Thais, finalizando o jogo em 4 x 0 para o Moleque (?!) Travesso.

Ao final do jogo, o treinador da equipe de Sorocaba exaltava a determinação das jogadoras. Apenas lamentava a ausência de várias delas naquela partida. Motivo: tinham que trabalhar na manhã daquele sábado e não puderam viajar com a equipe. Outras tinham que retornar para Sorocaba logo após o jogo, pois entravam no trabalho no período da tarde. Essa foi a rotina da equipe no campeonato. Mantido pela prefeitura (o São Bento emprestava apenas o nome), o time recebia auxílio de R$ 1700 reais por mês para as despesas com viagem e alimentação das atletas e chegou a ter em uma partida apenas uma atleta no banco de reservas.

No Juventus a realidade é um pouco melhor. O clube tem tradição no futebol feminino, já foi campeão paulista em 1987, costuma revelar jogadoras para a seleção, como a jovem Carol, de apenas 15 anos. Era uma situação atípica estar na última colocação do campeonato, mas finalmente as meninas da Mooca puderam comemorar a primeira vitória.

Mas não foi a precarização da modalidade entre as mulheres que me chamou a atenção, até porque o Brasil é um país que não leva qualquer esporte a sério, a não ser para levantar candidaturas a sede de Panamericano ou Jogos Olímpicos. O que aquelas garotas demonstraram é que a vitória ou derrota ali não afetaria a consciência delas, pois conheciam bem as dificuldades que envolvem a carreira no futebol, ainda mais no feminino. E como a realidade não permite deslumbramento, a maturidade chega mais cedo. Algumas pensam em se formar e crescer no futebol, outras apenas na atividade física e no prazer que o esporte proporciona. E sabem que o estudo é a condição fundamental para a evolução de cada uma. No futebol masculino nos deparamos com um universo de jogadores que não tem idéia do que fazer após encerrar a carreira, pois não possuem formação alguma.

As meninas do São Bento e Juventus deram um show, não só de empenho, mas de dignidade. Não faço idéia do que representa estar em campo para aquelas garotas. Existem aquelas partidas que nos marcam por alguma coisa e essa, com certeza, será uma delas. Acho que essa foi pelo fator humano. Altamente desenvolvido.


*Procurei por fotos e notícias desta partida na internet sem muito sucesso. No site de Federação Paulista havia apenas uma pequena nota. A súmula da partida estava indisponível. No site da Rede Vida só havia a chamada para o jogo. Até no site do Juventus só havia uma pequena nota sobre a partida que sequer mencionava o nome das jogadoras autoras dos gols. A escalação das duas equipes foi impossível conseguir. No site da federação havia somente o registro das jogadoras, com as fichas atualizadas de cada uma. Com certeza, essas meninas mereciam mais.

sábado, 18 de julho de 2009

O melhor do futebol (ou dos negócios) está na Espanha

Não, os espanhóis ainda não alcançaram o topo do mundo. Nada contra Iniesta, Xavi, Torres, Fabregas. Nada contra a seleção campeã da última Eurocopa. Aliás, finalmente a 'Fúria' abandonou o condição de eterna promessa e se consolidou nos últimos anos entre as grandes seleções da Europa, ainda que sempre paire aquela dúvida se o time conseguirá ir longe em uma Copa do Mundo. Mas, mesmo que o futebol espanhol esteja com tanta moral, os protagonistas do 'fútbol' nesta temporada serão todos estrangeiros.

O Real Madrid, surpreendentemente, aposta em... contratações milionárias. Haja vista o sacode que levou do Barça na temporada passada e estando há cinco temporadas sem saber o que é uma quartas-de-final da Champions League, a equipe merengue investiu pesado: contratou os 'melhores do mundo' Kaká e Cristiano Ronaldo na tentativa de recuperar o devido respeito no futebol europeu. Ao menos, não cometeu o erro do passado de contratar jogadores para a mesma posição. Kaká e Ronaldo chegam para formar um ótimo ataque com Robben e Van Nistelrooy. Entretanto, precisa tomar cuidado com a defesa e as más fases de Heinze, Pepe e Sergio Ramos.

Por outro lado, o Barcelona já tem um time acertado e não precisará fazer grandes alterações na equipe. Na defesa, sai Silvinho, chega Maxwell. Já no ataque, para formar o trio com Henry e o 'futuro melhor do mundo' Messi, o Barça não quis ficar para trás nas contratações. Já teria acertado com a Inter a negociação envolvendo a troca de Etoo e Hleb por Ibrahimovic, melhor atacante do futebol italiano há três temporadas. Etoo tem história no Barcelona, mas, com a vinda de Ibra, não haverá espaço para o camaronês no ataque.

Sem dúvidas, será o duelo europeu mais aguardado da temporada. As cifras envolvendo as transferências são absurdas. Que ao menos rendam em campo o esperado. Como uma bolsa de valores, algo em que o futebol europeu se tornou há tempos. Ainda assim, com bons valores.


*Citei no começo do texto sobre os estrangeiros na Espanha, mas achei desnecessário citar o 'brasileiro' Kaká, o 'português' Cristiano Ronaldo etc. Talvez só o 'bielorusso' Hleb merecesse alguma menção.

domingo, 12 de julho de 2009

Segmentação e vazio

Era por volta de 12h45min e me lembrei que naquele horário passava o Globo Esporte. Não estava mais acostumado a assistir ao tradicional 'noticiário esportivo' da hora do almoço, tanto que, às vezes, nem lembro que ele ainda existe. Pela falta de opções no horário, achei que um pouco de informações sobre esporte cairia bem. Contudo, para minha decepção, nenhuma reportagem trazia alguma informação relevante. De resto, apenas uma conversa entre o apresentador e o repórter sobre o cabeleireiro da equipe do São Paulo e (o melhor do programa) uma apresentação ao vivo de Maguila, cantando um samba gravado para um CD beneficente. O esporte mesmo passou ao largo.

Já tinha assistido algumas vezes a este novo formato do programa sem saber ao certo se já era algo definitivo ou se ia sofrer alguns ajustes com o passar do tempo. Como já está consolidado, entende-se que o público alvo são os jovens, adolescentes, adeptos a matérias engraçadinhas, descoladas, produzidas por repórteres também jovens, e com um apresentador que fale a linguagem e reproduza ações desta juventude.

Fica claro que o programa não é ruim por causa do apresentador Tiago Leifert, que é um simpático comunicador, mas sim pela segmentação na qual apostou, alijando de sua pauta a cobertura jornalística das diferentes modalidades esportivas para dar um espaço maior à eleição das musas de cada equipe do campeonato, ou para uma disputa de videogame com algum convidado. Nem Mauro Naves, tampouco Régis Rösing aparecem por ali. A volta parcial de Casagrande também não consegue emplacar o programa, que perde de longe em conteúdo para qualquer um da Sportv. O resultado é um programa vazio, de parco e desinteressante conteúdo, com reportagens fracas e coberturas insossas, desvinculado do jornalismo tradicional da emissora.

Talvez esse esvaziamento seja o efeito da perda dos direitos de transmissão dos próximos Jogos Panamericanos de Guadalajara e dos Jogos Olímpicos de Londres. Entretanto, talvez seja mais um retrato desta juventude de hoje, cada vez mais vazia, cujo conhecimento acumulado tem origem nas esferas do SMS, Orkut e Messenger. E só.

Mas o que mais me chateou foi ter lembrado só depois que àquele horário passava Chavez no SBT. Ao menos, fiquei aliviado, acreditando que esse mundo ainda tem salvação.

sábado, 11 de julho de 2009

Nostalgia


Ontem, a TV Cultura reprisou em seu especial de comemoração dos 40 anos da emissora o programa Fábrica do Som. A atração comandada por Tadeu Jungle apresentava nomes consagrados da música e abria espaço para as pricipais bandas dos anos 80 quando estas ainda eram promessas. É estranho quando sentimos nostalgia daquilo que não vivemos.


sábado, 4 de julho de 2009

Lembranças amargas

Após as duras críticas de Maradona sobre as péssimas condições do gramado do estádio Monumental de Nuñez antes do confronto entre Argentina e Colômbia pelas Eliminatórias da Copa, Júlio Grondona, presidente da Associação de Futebol Argentino, estuda a possibbilidade de mudar o local das próximas partidas em que a seleção local atuará como mandante. Já estaria adiantada a negociação entre Grondona e FIFA para habilitar o estádio Gigante de Arroyito, em Rosario, para jogos da seleção argentina em competições oficiais. A mudança tem a aprovação do próprio Maradona e dos jogadores, pois, para eles, a torcida em "El Monumental" tem sido fria nos jogos em casa. Para o jogo contra o Brasil, em setembro, a idéia é ter um apoio maior "de la gente" e aumentar a pressão no adversário.

O estádio Gigante de Arroyito, casa do Rosario Central, foi um dos palcos da Copa do Mundo de 1978, disputada na Argentina, e abrigou os duelos da seleção local na segunda fase do torneio. Entre eles, um empate com o Brasil por 0 x 0 e o suspeitíssimo 6 x 0 aplicado no Peru. Para chegar à final, a Argentina precisava ganhar da seleção peruana por quatro gols de diferença. Eram os tempos sangrentos da ditadura do general Videla, de manipulação da imprensa, de muitos mortos e desaparecidos. Para quem se interessar, recomendo aqui o excelente programa Observatório da Imprensa sobre os 30 anos da Copa de 1978 (demora um pouco para carregar mas vale a pena) que, entre outros assuntos, trata do ambiente político que cercava o torneio, da suspeita de manipulação de resultados, da visita do general Videla ao vestiário peruano antes do confronto com os argentinos e das suspeitas de doping e suborno levantadas pelo ex-atacante argentino Daniel Ortiz. Lembranças amargas de um período de violência e intolerância em quase todos os países latino-americanos.

domingo, 28 de junho de 2009

Boleiros (ou Era uma vez o futebol)

Era uma vez um tempo em que jogadores tinham personalidade, pouco se importavam com a imagem, falavam abertamente com a imprensa, chamavam a responsabilidade do jogo e, acima de tudo, jogavam muita bola.

Domingo passado, o programa Grandes Momentos do Esporte, da TV Cultura, reprisou partidas históricas envolvendo Corinthians e São Paulo ocorridas nas décadas de 70 e 80. Além do bom futebol jogado, via-se nitidamente que a atmosfera era outra. Havia Serginho, Sócrates, Dario Pereira, Casagrande, Oscar, Wladimir. Até a pancadaria, como a que ocorreu no confronto entre as duas equipes no Campeonato Paulista de 1979, tinha ares românticos. Não era uma briga qualquer: eram Serginho e Wladimir trocando sopapos. Algo que não ocorre, por exemplo, ao rever a briga entre Edilson e Paulo Nunes, ocorrida 20 anos depois. A percepção é diferente porque antes havia uma categoria de jogadores com as qualidades descritas no começo deste texto e que, hoje, praticamente deixaram de existir. Eles mesmos: os boleiros, figuras abundantes no futebol brasileiro nas décadas de 70 e 80*.

Personagens do futebol brasileiro que nos anos 90 já eram escassos, mas que ainda carregavam a tradição. Com a ajuda da mídia, tornaram-se célebres as fanfarronices de Viola, as provocações de Túlio Maravilha, as brigas de Edmundo, as insinuações do "deus" Romário (autointitulado), os churrascos e as mulheres de Renato Gaúcho. Eles faziam um bem enorme ao futebol no sentido de deixá-lo menos sisudo, mais verdadeiro. Nesta década, apenas o goleiro Marcos, do Palmeiras, consegue honrar as gerações anteriores, num cenário onde parece não haver mais herdeiros.

Hoje, mesclam-se falta de personalidade e superproteção aos atletas que, desde as categorias de base, já estão munidos de empresários e assessores para restringir declarações, bem como assuntos e pautas tratados com a imprensa. Restam aos repórteres ouvirem as respostas óbvias de sempre. Ao espectador, futebol e jogadores sem sal. A proteção é até válida para jovens jogadores que chegam totalmente despreparados ao futebol profissional, visto que fama e dinheiro trazem deslumbramento a uma molecada que antes não tinha nada e passa a ter tudo. Entretanto, acostumados que éramos aos boleiros de outrora, dificilmente conseguimos ouvir palavras que valham a pena da 'boleirada' de hoje, se é que podemos chamá-los assim. Com boas atuações em campo já ficaríamos satisfeitos.

É fato que os jornalistas que cobrem o dia-a-dia do esporte hoje também são outros. As pautas não são tão interessantes, pois temos jogadores pouco interessantes. Os bons personagens para entrevistas continuam sendo os do passado. Em São Paulo, principalmente, a cara do futebol é cada vez mais ranzinza. Um Renato Gaúcho faria um bem enorme por aqui.


*As décadas de 70 e 80 foram citadas por conta do vasto material audiovisual disponível para relembrar os boleiros do passado. Caso tenha esquecido de algum, a caixinha de comentários está disponível para as devidas citações.

Uma morte anunciada

Morte anunciada e cobertura ao vivo. Assim como em vida, a morte de Michael Jackson não deixaria de ser mais um espetáculo midiático. Isso nada tem a ver com esporte, porém recomendo aqui o excelente texto de Flávio Gomes sobre o falecimento do artista, "vítima voluntária" do sucesso.

terça-feira, 16 de junho de 2009

On the left, on the right

O técnico Joel Santana nunca fugiu de assuntos polêmicos e, tampouco, se omitiu em suas declarações para a imprensa. Sempre falou o que veio à mente. Agora como técnico da seleção da África do Sul se arrisca dando entrevistas apenas em inglês. Se o futebol da equipe é sofrível, pelo menos o "speech" de Joel é capaz de divertir os espectadores que estavam com saudades do treinador. Mas ainda fica uma pergunta: onde foi parar a prancheta?

sábado, 13 de junho de 2009

Folha, Flavio Gomes e anônimos

Infelizmente, a velocidade com que ocorrem as transformações na internet, tanto ferramental como em alcance, não é acompanhada pela evolução comportamental dos internautas. O anonimato é a fórmula perfeita para que covardes, sem rosto e nome, transmitam via rede toda frustração, conservadorismo, intolerância e incompreensão para os assuntos mais diversos (recomendo o excelente texto sobre a lógica do ressentimento e do chilique em Adicional Contradicción).

Nesta semana, o jornalista Flávio Gomes publicou em seu
blog sobre automobilismo um texto sobre seu descontentamento com os rumos seguidos pelo jornal Folha de S.Paulo, onde trabalhara por quase dez anos, e que estampou na manchete de quarta-feira, 10 de junho, que o Brasil estava em recessão. O texto foi o suficiente para que diversos leitores, alguns travestidos de admiradores do esporte, demonstrassem a intolerância escondida para desferir uma série de ataques grosseiros ao jornalista. Se por um lado a pluralidade da internet revela o que há de pior no comportamento e pensamento de um determinado segmento de classe, a versatilidade do meio garante réplicas ágeis. E as de Flávio Gomes são excelentes, ao nivel que merecem os infelizes que postaram ali (clique aqui para ir ao texto de FG sobre a Folha).


* texto atualizado devido à condição ruim da rede quando foi escrito anteriormente.

domingo, 31 de maio de 2009

El mejor del mundo

"Saltó tan alto que llegó hasta el cielo". Assim definiu o diário argentino Olé sobre o feito alcançado por Lionel Messi. Não se referia apenas à conquista da Champions League com o Barcelona, mas sobre o que foi esta temporada para o jogador argentino (também campeão espanhol e da Copa do Rei) e o posto que agora ocupa no futebol internacional: melhor do mundo.

Em 2006, Lio estava machucado e não jogou a final contra o Arsenal. Passaram-se três anos para, enfim, se tornar o protagonista de nova finalíssima. Três anos encantando espanhóis, argentinos e agora conquista definitivamente o planeta. Mais que um colírio, é um remédio para memória de quem perdeu as melhores lembranças futebolísticas.

Como já disse anteriormente, Messi nos faz lembrar um pouco do que fomos. Em enquete promovida pelo diário Lance!, nenhum jogador brasileiro conseguiu superar "La Pulga" na preferência dos internautas. Nem o eficiente Kaká, tampouco o driblador Ronaldinho. O argentino, atualmente, reúne eficiência e drible e está acima da concorrência, até para os brasileiros. Nem Lula é tão unânime por aqui.

Agora Lio vai em busca de novos desafios, de ser eleito o melhor jogador do mundo (e será, com certeza), de repetir o sucesso com a camisa dez da seleção argentina, de ser campeão do mundo por clube e seleção. Como se diz na Argentina, "va por todo".

terça-feira, 26 de maio de 2009

Jogo duro... de assistir

Não era o clássico contra o Red Bull, mas, domingo passado, o programa Rockgol de Domingo homenageou a saudosa cidade de Atibaia* no quadro "Jogo duro... de assistir". Jogaram Atibaia x Capivariano pela 2ª divisão paulista. Totalmente excelente. Detalhe: Atibaia aplicou um 0 x 2 no time de Capivari. Sem problemas, o que vale é a homenagem.

*P.S. Já morei ao lado deste campo, conhecido como "Campo do Alvinópolis", que na época era utilizado nas pré-temporadas dos grandes clubes. Vi jogar/treinar ali bons jogadores como Marcelinho Carioca, Zetti, Viola, Silvinho. Mas também vi Mirandinha, Caíco, Argel...



terça-feira, 19 de maio de 2009

Hora Cívica

Às quintas-feiras, na E.E. Carlos José Ribeiro, em Atibaia, todas as turmas perfilavam no pátio da escola, separadas em filas de meninos e meninas, por ordem de altura, do menor para o maior. A diretora discursava e transmitia alguns informes e, às vezes, havia alguma apresentação de professores ou alunos. Em seguida, ocorria a execução do hino nacional brasileiro e o hasteamento da bandeira. Era chamada de "Hora Cívica". Herança dos tempos da ditadura militar, das aulas de educação moral e cívica, já extintas àquela altura.

O tempo passou e hoje creio que já não exista tal procedimento nas escolas públicas paulistas. O hino nacional, em minhas lembranças, ficaria mais restrito às datas comemorativas, eventos e solenidades, como no dia de minha formatura.

Isso porque faço um grande esforço para ignorar uma lei de autoria do deputado estadual Vitor Sapienza (PPS), que vigora desde 2001, que institui a obrigatoriedade do hino nacional brasileiro antes de qualquer evento esportivo no Estado de São Paulo (pela redação atual, "em todos os eventos esportivos com público acima de 5000 espectadores"). Penso sobre a matéria e não entendo a razão "cívica" desta legislação.

Talvez por efeito daquelas quintas-feiras, nunca fui entusiasta de nosso hino, que considero demasiado parnasiano, mas sempre respeitando aqueles que o consideram o "mais importante" símbolo nacional. No entanto, não vejo motivo algum para tocá-lo antes de competições ou partidas entre clubes de âmbito local ou nacional, seja num São Paulo x Palmeiras, Atibaia x Red Bull Brasil, Paulistano x Pinheiros, Finasa x São Caetano, ou mesmo, Garça x Botucatu, em copas de futsal promovidas por emissoras de TV. Soa ainda mais estranho e incoerente em partidas internacionais envolvendo times paulistas, pois apenas o hino braileiro é executdo e o do país do time visitante não. Por vezes, ainda inventam de colocar Ivete Sangalo ou Zezé de Camargo e Luciano para interpretá-lo.

Não se trata de banalização, mas somente de uma causa desnecessária. O que está em jogo envolve apenas clubes, interesses particulares, práticas esportivas envolvendo atletas amadores ou profissionais, buscando algum reconhecimento ou só mantendo a forma física, além dos espectadores que estão lá por divertimento e lazer. Não envolve qualquer ideal de país ou nação e tampouco influi sobre o conceito geral que se tem de civilidade. Afinal, o mesmo sujeito que canta o hino com louvor à pátria é o mesmo que mais tarde vai emporcalhar o estádio e as ruas com lixo, brigar com a polícia, parar o carro na vaga de pessoas com deficiência (ou portadoras de necessidades especiais), desrespeitar o acento preferencial de idosos nos coletivos, impedir o fechamento das portas do trem para não ter que esperar pelo próximo.

Antes das partidas bastaria a entrada das equipes, um cumprimento entre os jogadores, a troca de flâmulas. Excetuando as partidas ou competições envolvendo uma seleção brasileira em qualquer modalidade, essa execução exaustiva e "totalitária" é um retrocesso. Mas acredito que ainda há muita gente por aí com saudade dos militares e das horas cívicas.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

El Titán


O primeiro jogo que me lembro de ter assistido de Martín Palermo foi na Copa América de 1999, na fatídica partida entre Argentina e Colômbia, quando "El Loco" desperdiçou incrivelmente três cobranças de penalti. O jogo terminou 3 x 0 para os colombianos e o atacante entrava de forma negativa para o Guinness. Naquele torneio, encerrava-se prematuramente a carreira de Palermo com a camisa da seleção argentina. A mim, ficava uma impressão ruim por aquilo que vi do atacante no jogo.

A vida seguiu, Palermo continuou errando penalidades, mas, aos poucos, parecia superar o trauma daquela partida. Goleador que era (e ainda é), foi conquistando títulos e o coração da torcida do Boca Juniors, apesar de seu ritmo lento e desajeitado. Chamado na argentina de "el optimista del gol" por sua capacidade de superação, conseguiu sua redenção ao marcar o gol que classificou o Boca na Libertadores de 2000, eliminando o River Plate em La Bombonera. Isso após ficar seis meses longe dos campos por contusão.

Martín foi para a Espanha jogar pelo Villareal em uma época que o "Submarino Amarillo" lutava no pelotão intermediário. Não fez sucesso. Também teve passagens discretas por Bétis e Alavés antes de retornar ao Boca em 2004.

Já com a camisa xeneize, Palermo soma 200 gols e uma dezena de títulos. Podem discutir seu talento, seus movimentos, mas sua marca como goleador é considerável. O fato de não ser mais chamado para a seleção se deve menos aos penaltis que perdeu e mais aos concorrentes pela posição, pois disputava vaga com ninguém menos que Gabriel Batistuta e Hernán Crespo. Azarado, também se contundiu gravemente no joelho várias vezes, o que atrapalhou bastante sua carreira (na Espanha, um muro caiu sobre sua perna após a comemoração de um gol). Ventila-se a possibilidade de Maradona convocar El Loco após dez anos de sua última partida pela seleção. Os jogadores rápidos do ataque argentino (Messi, Tevez, Aguero) ainda são as prioridades, mas Palermo não deixa de ser uma boa opção. Referência na área, posiciona-se muito bem e é ótimo na jogada aérea, característica que falta aos seus concorrentes.

O tempo fez por apagar a minha má impressão de Martín. Mais pela sua vontade e autoconfiança que pelo trato com a bola. Ainda assim, é capaz de surpreender, fazendo lindas jogadas, como esta que segue aí abaixo. Foi o gol de número 200 pelo Boca Juniors e o atacante quis comemorar a marca em grande estilo. Não acho que seja craque, mas, acima de tudo, é um bom "Titán".


sábado, 9 de maio de 2009

C. Ronaldo x L. Messi

Semana passada, o programa Esporte Espetacular, da Rede Globo, promoveu em seu quadro "Quem foi (é) o melhor" a disputa entre os "atualíssimos" Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. O argentino levou a melhor com larga vantagem entre os internautas, obtendo cerca de 65% dos votos. Entre jogadores, treinadores e jornalistas a preferência por Messi foi quase unanimidade.

O resultado era previsível. Deixando a rivalidade entre brasileiros e argentinos de lado, o estilo de jogo de Lio é o que mais agrada à preferência brazuca. A rapidez, as investidas entre os zagueiros , os dribles curtos e genais enfileirando os marcadores, as arrancadas, as tabelas rápidas, a bola que parece não desgrudar de seus pés. Tudo isso, utilizando as palavras de Ugo Giorgetti, nos faz "lembrar um pouco do que fomos". Um pouco de Rivelino, um pouco de Zico. Para os argentinos, um pouco de Maradona.

Cristiano Ronaldo não é tão ligeiro quanto Messi e atua mais pelos lados do campo. Mesmo assim, joga um grande futebol. Movimenta-se bastante, possui ótimo drible, finaliza e cabeceia muito bem. Aqui no Brasil e ao redor do mundo ganhou certa fama de mascarado, presepeiro, firuleiro. Acho injusto. O português vem se destacando desde que chegou ao Manchester United, fez uma ótima temporada 2007/2008, fazendo gols incríveis (e decisivos). Foi campeão da Champions League e do Mundial da Fifa em 2008 e foi escolhido com justiça como o Melhor do Mundo daquele ano. Perdeu um pouco do gás nesta temporada, mas nada que desabone sua brilhante carreira.

Na atual temporada, Messi está melhor. Após as Olimpíadas de Pequim, o argentino vem sobrando; tem jogado muito pelo Barcelona e vem decidindo as partidas. Assim como foi Cristiano na temporada anterior.

Quis o destino que se cruzassem na final da Champions League e, enfim, poderão realizar essa disputa no campo para ver quem é o melhor. Acho tudo isso uma grande bobagem. Toda pessoa é livre para escolher o seu preferido; além disso, perde-se muito tempo discutindo gostos. Eis as imagens para ajudá-los na escolha. Tenham um bom filme.