domingo, 31 de maio de 2009

El mejor del mundo

"Saltó tan alto que llegó hasta el cielo". Assim definiu o diário argentino Olé sobre o feito alcançado por Lionel Messi. Não se referia apenas à conquista da Champions League com o Barcelona, mas sobre o que foi esta temporada para o jogador argentino (também campeão espanhol e da Copa do Rei) e o posto que agora ocupa no futebol internacional: melhor do mundo.

Em 2006, Lio estava machucado e não jogou a final contra o Arsenal. Passaram-se três anos para, enfim, se tornar o protagonista de nova finalíssima. Três anos encantando espanhóis, argentinos e agora conquista definitivamente o planeta. Mais que um colírio, é um remédio para memória de quem perdeu as melhores lembranças futebolísticas.

Como já disse anteriormente, Messi nos faz lembrar um pouco do que fomos. Em enquete promovida pelo diário Lance!, nenhum jogador brasileiro conseguiu superar "La Pulga" na preferência dos internautas. Nem o eficiente Kaká, tampouco o driblador Ronaldinho. O argentino, atualmente, reúne eficiência e drible e está acima da concorrência, até para os brasileiros. Nem Lula é tão unânime por aqui.

Agora Lio vai em busca de novos desafios, de ser eleito o melhor jogador do mundo (e será, com certeza), de repetir o sucesso com a camisa dez da seleção argentina, de ser campeão do mundo por clube e seleção. Como se diz na Argentina, "va por todo".

terça-feira, 26 de maio de 2009

Jogo duro... de assistir

Não era o clássico contra o Red Bull, mas, domingo passado, o programa Rockgol de Domingo homenageou a saudosa cidade de Atibaia* no quadro "Jogo duro... de assistir". Jogaram Atibaia x Capivariano pela 2ª divisão paulista. Totalmente excelente. Detalhe: Atibaia aplicou um 0 x 2 no time de Capivari. Sem problemas, o que vale é a homenagem.

*P.S. Já morei ao lado deste campo, conhecido como "Campo do Alvinópolis", que na época era utilizado nas pré-temporadas dos grandes clubes. Vi jogar/treinar ali bons jogadores como Marcelinho Carioca, Zetti, Viola, Silvinho. Mas também vi Mirandinha, Caíco, Argel...



terça-feira, 19 de maio de 2009

Hora Cívica

Às quintas-feiras, na E.E. Carlos José Ribeiro, em Atibaia, todas as turmas perfilavam no pátio da escola, separadas em filas de meninos e meninas, por ordem de altura, do menor para o maior. A diretora discursava e transmitia alguns informes e, às vezes, havia alguma apresentação de professores ou alunos. Em seguida, ocorria a execução do hino nacional brasileiro e o hasteamento da bandeira. Era chamada de "Hora Cívica". Herança dos tempos da ditadura militar, das aulas de educação moral e cívica, já extintas àquela altura.

O tempo passou e hoje creio que já não exista tal procedimento nas escolas públicas paulistas. O hino nacional, em minhas lembranças, ficaria mais restrito às datas comemorativas, eventos e solenidades, como no dia de minha formatura.

Isso porque faço um grande esforço para ignorar uma lei de autoria do deputado estadual Vitor Sapienza (PPS), que vigora desde 2001, que institui a obrigatoriedade do hino nacional brasileiro antes de qualquer evento esportivo no Estado de São Paulo (pela redação atual, "em todos os eventos esportivos com público acima de 5000 espectadores"). Penso sobre a matéria e não entendo a razão "cívica" desta legislação.

Talvez por efeito daquelas quintas-feiras, nunca fui entusiasta de nosso hino, que considero demasiado parnasiano, mas sempre respeitando aqueles que o consideram o "mais importante" símbolo nacional. No entanto, não vejo motivo algum para tocá-lo antes de competições ou partidas entre clubes de âmbito local ou nacional, seja num São Paulo x Palmeiras, Atibaia x Red Bull Brasil, Paulistano x Pinheiros, Finasa x São Caetano, ou mesmo, Garça x Botucatu, em copas de futsal promovidas por emissoras de TV. Soa ainda mais estranho e incoerente em partidas internacionais envolvendo times paulistas, pois apenas o hino braileiro é executdo e o do país do time visitante não. Por vezes, ainda inventam de colocar Ivete Sangalo ou Zezé de Camargo e Luciano para interpretá-lo.

Não se trata de banalização, mas somente de uma causa desnecessária. O que está em jogo envolve apenas clubes, interesses particulares, práticas esportivas envolvendo atletas amadores ou profissionais, buscando algum reconhecimento ou só mantendo a forma física, além dos espectadores que estão lá por divertimento e lazer. Não envolve qualquer ideal de país ou nação e tampouco influi sobre o conceito geral que se tem de civilidade. Afinal, o mesmo sujeito que canta o hino com louvor à pátria é o mesmo que mais tarde vai emporcalhar o estádio e as ruas com lixo, brigar com a polícia, parar o carro na vaga de pessoas com deficiência (ou portadoras de necessidades especiais), desrespeitar o acento preferencial de idosos nos coletivos, impedir o fechamento das portas do trem para não ter que esperar pelo próximo.

Antes das partidas bastaria a entrada das equipes, um cumprimento entre os jogadores, a troca de flâmulas. Excetuando as partidas ou competições envolvendo uma seleção brasileira em qualquer modalidade, essa execução exaustiva e "totalitária" é um retrocesso. Mas acredito que ainda há muita gente por aí com saudade dos militares e das horas cívicas.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

El Titán


O primeiro jogo que me lembro de ter assistido de Martín Palermo foi na Copa América de 1999, na fatídica partida entre Argentina e Colômbia, quando "El Loco" desperdiçou incrivelmente três cobranças de penalti. O jogo terminou 3 x 0 para os colombianos e o atacante entrava de forma negativa para o Guinness. Naquele torneio, encerrava-se prematuramente a carreira de Palermo com a camisa da seleção argentina. A mim, ficava uma impressão ruim por aquilo que vi do atacante no jogo.

A vida seguiu, Palermo continuou errando penalidades, mas, aos poucos, parecia superar o trauma daquela partida. Goleador que era (e ainda é), foi conquistando títulos e o coração da torcida do Boca Juniors, apesar de seu ritmo lento e desajeitado. Chamado na argentina de "el optimista del gol" por sua capacidade de superação, conseguiu sua redenção ao marcar o gol que classificou o Boca na Libertadores de 2000, eliminando o River Plate em La Bombonera. Isso após ficar seis meses longe dos campos por contusão.

Martín foi para a Espanha jogar pelo Villareal em uma época que o "Submarino Amarillo" lutava no pelotão intermediário. Não fez sucesso. Também teve passagens discretas por Bétis e Alavés antes de retornar ao Boca em 2004.

Já com a camisa xeneize, Palermo soma 200 gols e uma dezena de títulos. Podem discutir seu talento, seus movimentos, mas sua marca como goleador é considerável. O fato de não ser mais chamado para a seleção se deve menos aos penaltis que perdeu e mais aos concorrentes pela posição, pois disputava vaga com ninguém menos que Gabriel Batistuta e Hernán Crespo. Azarado, também se contundiu gravemente no joelho várias vezes, o que atrapalhou bastante sua carreira (na Espanha, um muro caiu sobre sua perna após a comemoração de um gol). Ventila-se a possibilidade de Maradona convocar El Loco após dez anos de sua última partida pela seleção. Os jogadores rápidos do ataque argentino (Messi, Tevez, Aguero) ainda são as prioridades, mas Palermo não deixa de ser uma boa opção. Referência na área, posiciona-se muito bem e é ótimo na jogada aérea, característica que falta aos seus concorrentes.

O tempo fez por apagar a minha má impressão de Martín. Mais pela sua vontade e autoconfiança que pelo trato com a bola. Ainda assim, é capaz de surpreender, fazendo lindas jogadas, como esta que segue aí abaixo. Foi o gol de número 200 pelo Boca Juniors e o atacante quis comemorar a marca em grande estilo. Não acho que seja craque, mas, acima de tudo, é um bom "Titán".


sábado, 9 de maio de 2009

C. Ronaldo x L. Messi

Semana passada, o programa Esporte Espetacular, da Rede Globo, promoveu em seu quadro "Quem foi (é) o melhor" a disputa entre os "atualíssimos" Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. O argentino levou a melhor com larga vantagem entre os internautas, obtendo cerca de 65% dos votos. Entre jogadores, treinadores e jornalistas a preferência por Messi foi quase unanimidade.

O resultado era previsível. Deixando a rivalidade entre brasileiros e argentinos de lado, o estilo de jogo de Lio é o que mais agrada à preferência brazuca. A rapidez, as investidas entre os zagueiros , os dribles curtos e genais enfileirando os marcadores, as arrancadas, as tabelas rápidas, a bola que parece não desgrudar de seus pés. Tudo isso, utilizando as palavras de Ugo Giorgetti, nos faz "lembrar um pouco do que fomos". Um pouco de Rivelino, um pouco de Zico. Para os argentinos, um pouco de Maradona.

Cristiano Ronaldo não é tão ligeiro quanto Messi e atua mais pelos lados do campo. Mesmo assim, joga um grande futebol. Movimenta-se bastante, possui ótimo drible, finaliza e cabeceia muito bem. Aqui no Brasil e ao redor do mundo ganhou certa fama de mascarado, presepeiro, firuleiro. Acho injusto. O português vem se destacando desde que chegou ao Manchester United, fez uma ótima temporada 2007/2008, fazendo gols incríveis (e decisivos). Foi campeão da Champions League e do Mundial da Fifa em 2008 e foi escolhido com justiça como o Melhor do Mundo daquele ano. Perdeu um pouco do gás nesta temporada, mas nada que desabone sua brilhante carreira.

Na atual temporada, Messi está melhor. Após as Olimpíadas de Pequim, o argentino vem sobrando; tem jogado muito pelo Barcelona e vem decidindo as partidas. Assim como foi Cristiano na temporada anterior.

Quis o destino que se cruzassem na final da Champions League e, enfim, poderão realizar essa disputa no campo para ver quem é o melhor. Acho tudo isso uma grande bobagem. Toda pessoa é livre para escolher o seu preferido; além disso, perde-se muito tempo discutindo gostos. Eis as imagens para ajudá-los na escolha. Tenham um bom filme.