sábado, 18 de julho de 2009

O melhor do futebol (ou dos negócios) está na Espanha

Não, os espanhóis ainda não alcançaram o topo do mundo. Nada contra Iniesta, Xavi, Torres, Fabregas. Nada contra a seleção campeã da última Eurocopa. Aliás, finalmente a 'Fúria' abandonou o condição de eterna promessa e se consolidou nos últimos anos entre as grandes seleções da Europa, ainda que sempre paire aquela dúvida se o time conseguirá ir longe em uma Copa do Mundo. Mas, mesmo que o futebol espanhol esteja com tanta moral, os protagonistas do 'fútbol' nesta temporada serão todos estrangeiros.

O Real Madrid, surpreendentemente, aposta em... contratações milionárias. Haja vista o sacode que levou do Barça na temporada passada e estando há cinco temporadas sem saber o que é uma quartas-de-final da Champions League, a equipe merengue investiu pesado: contratou os 'melhores do mundo' Kaká e Cristiano Ronaldo na tentativa de recuperar o devido respeito no futebol europeu. Ao menos, não cometeu o erro do passado de contratar jogadores para a mesma posição. Kaká e Ronaldo chegam para formar um ótimo ataque com Robben e Van Nistelrooy. Entretanto, precisa tomar cuidado com a defesa e as más fases de Heinze, Pepe e Sergio Ramos.

Por outro lado, o Barcelona já tem um time acertado e não precisará fazer grandes alterações na equipe. Na defesa, sai Silvinho, chega Maxwell. Já no ataque, para formar o trio com Henry e o 'futuro melhor do mundo' Messi, o Barça não quis ficar para trás nas contratações. Já teria acertado com a Inter a negociação envolvendo a troca de Etoo e Hleb por Ibrahimovic, melhor atacante do futebol italiano há três temporadas. Etoo tem história no Barcelona, mas, com a vinda de Ibra, não haverá espaço para o camaronês no ataque.

Sem dúvidas, será o duelo europeu mais aguardado da temporada. As cifras envolvendo as transferências são absurdas. Que ao menos rendam em campo o esperado. Como uma bolsa de valores, algo em que o futebol europeu se tornou há tempos. Ainda assim, com bons valores.


*Citei no começo do texto sobre os estrangeiros na Espanha, mas achei desnecessário citar o 'brasileiro' Kaká, o 'português' Cristiano Ronaldo etc. Talvez só o 'bielorusso' Hleb merecesse alguma menção.

domingo, 12 de julho de 2009

Segmentação e vazio

Era por volta de 12h45min e me lembrei que naquele horário passava o Globo Esporte. Não estava mais acostumado a assistir ao tradicional 'noticiário esportivo' da hora do almoço, tanto que, às vezes, nem lembro que ele ainda existe. Pela falta de opções no horário, achei que um pouco de informações sobre esporte cairia bem. Contudo, para minha decepção, nenhuma reportagem trazia alguma informação relevante. De resto, apenas uma conversa entre o apresentador e o repórter sobre o cabeleireiro da equipe do São Paulo e (o melhor do programa) uma apresentação ao vivo de Maguila, cantando um samba gravado para um CD beneficente. O esporte mesmo passou ao largo.

Já tinha assistido algumas vezes a este novo formato do programa sem saber ao certo se já era algo definitivo ou se ia sofrer alguns ajustes com o passar do tempo. Como já está consolidado, entende-se que o público alvo são os jovens, adolescentes, adeptos a matérias engraçadinhas, descoladas, produzidas por repórteres também jovens, e com um apresentador que fale a linguagem e reproduza ações desta juventude.

Fica claro que o programa não é ruim por causa do apresentador Tiago Leifert, que é um simpático comunicador, mas sim pela segmentação na qual apostou, alijando de sua pauta a cobertura jornalística das diferentes modalidades esportivas para dar um espaço maior à eleição das musas de cada equipe do campeonato, ou para uma disputa de videogame com algum convidado. Nem Mauro Naves, tampouco Régis Rösing aparecem por ali. A volta parcial de Casagrande também não consegue emplacar o programa, que perde de longe em conteúdo para qualquer um da Sportv. O resultado é um programa vazio, de parco e desinteressante conteúdo, com reportagens fracas e coberturas insossas, desvinculado do jornalismo tradicional da emissora.

Talvez esse esvaziamento seja o efeito da perda dos direitos de transmissão dos próximos Jogos Panamericanos de Guadalajara e dos Jogos Olímpicos de Londres. Entretanto, talvez seja mais um retrato desta juventude de hoje, cada vez mais vazia, cujo conhecimento acumulado tem origem nas esferas do SMS, Orkut e Messenger. E só.

Mas o que mais me chateou foi ter lembrado só depois que àquele horário passava Chavez no SBT. Ao menos, fiquei aliviado, acreditando que esse mundo ainda tem salvação.

sábado, 11 de julho de 2009

Nostalgia


Ontem, a TV Cultura reprisou em seu especial de comemoração dos 40 anos da emissora o programa Fábrica do Som. A atração comandada por Tadeu Jungle apresentava nomes consagrados da música e abria espaço para as pricipais bandas dos anos 80 quando estas ainda eram promessas. É estranho quando sentimos nostalgia daquilo que não vivemos.


sábado, 4 de julho de 2009

Lembranças amargas

Após as duras críticas de Maradona sobre as péssimas condições do gramado do estádio Monumental de Nuñez antes do confronto entre Argentina e Colômbia pelas Eliminatórias da Copa, Júlio Grondona, presidente da Associação de Futebol Argentino, estuda a possibbilidade de mudar o local das próximas partidas em que a seleção local atuará como mandante. Já estaria adiantada a negociação entre Grondona e FIFA para habilitar o estádio Gigante de Arroyito, em Rosario, para jogos da seleção argentina em competições oficiais. A mudança tem a aprovação do próprio Maradona e dos jogadores, pois, para eles, a torcida em "El Monumental" tem sido fria nos jogos em casa. Para o jogo contra o Brasil, em setembro, a idéia é ter um apoio maior "de la gente" e aumentar a pressão no adversário.

O estádio Gigante de Arroyito, casa do Rosario Central, foi um dos palcos da Copa do Mundo de 1978, disputada na Argentina, e abrigou os duelos da seleção local na segunda fase do torneio. Entre eles, um empate com o Brasil por 0 x 0 e o suspeitíssimo 6 x 0 aplicado no Peru. Para chegar à final, a Argentina precisava ganhar da seleção peruana por quatro gols de diferença. Eram os tempos sangrentos da ditadura do general Videla, de manipulação da imprensa, de muitos mortos e desaparecidos. Para quem se interessar, recomendo aqui o excelente programa Observatório da Imprensa sobre os 30 anos da Copa de 1978 (demora um pouco para carregar mas vale a pena) que, entre outros assuntos, trata do ambiente político que cercava o torneio, da suspeita de manipulação de resultados, da visita do general Videla ao vestiário peruano antes do confronto com os argentinos e das suspeitas de doping e suborno levantadas pelo ex-atacante argentino Daniel Ortiz. Lembranças amargas de um período de violência e intolerância em quase todos os países latino-americanos.