domingo, 12 de julho de 2009

Segmentação e vazio

Era por volta de 12h45min e me lembrei que naquele horário passava o Globo Esporte. Não estava mais acostumado a assistir ao tradicional 'noticiário esportivo' da hora do almoço, tanto que, às vezes, nem lembro que ele ainda existe. Pela falta de opções no horário, achei que um pouco de informações sobre esporte cairia bem. Contudo, para minha decepção, nenhuma reportagem trazia alguma informação relevante. De resto, apenas uma conversa entre o apresentador e o repórter sobre o cabeleireiro da equipe do São Paulo e (o melhor do programa) uma apresentação ao vivo de Maguila, cantando um samba gravado para um CD beneficente. O esporte mesmo passou ao largo.

Já tinha assistido algumas vezes a este novo formato do programa sem saber ao certo se já era algo definitivo ou se ia sofrer alguns ajustes com o passar do tempo. Como já está consolidado, entende-se que o público alvo são os jovens, adolescentes, adeptos a matérias engraçadinhas, descoladas, produzidas por repórteres também jovens, e com um apresentador que fale a linguagem e reproduza ações desta juventude.

Fica claro que o programa não é ruim por causa do apresentador Tiago Leifert, que é um simpático comunicador, mas sim pela segmentação na qual apostou, alijando de sua pauta a cobertura jornalística das diferentes modalidades esportivas para dar um espaço maior à eleição das musas de cada equipe do campeonato, ou para uma disputa de videogame com algum convidado. Nem Mauro Naves, tampouco Régis Rösing aparecem por ali. A volta parcial de Casagrande também não consegue emplacar o programa, que perde de longe em conteúdo para qualquer um da Sportv. O resultado é um programa vazio, de parco e desinteressante conteúdo, com reportagens fracas e coberturas insossas, desvinculado do jornalismo tradicional da emissora.

Talvez esse esvaziamento seja o efeito da perda dos direitos de transmissão dos próximos Jogos Panamericanos de Guadalajara e dos Jogos Olímpicos de Londres. Entretanto, talvez seja mais um retrato desta juventude de hoje, cada vez mais vazia, cujo conhecimento acumulado tem origem nas esferas do SMS, Orkut e Messenger. E só.

Mas o que mais me chateou foi ter lembrado só depois que àquele horário passava Chavez no SBT. Ao menos, fiquei aliviado, acreditando que esse mundo ainda tem salvação.

2 comentários:

Luiz disse...

Eu sei bem do que você está falando.

Andre de Paula Eduardo disse...

SMS, Orkut, Twitter, youtube, chats... esses recursos "pegam" rápido pq se adequam a nosso tempo? ou já há algum tempo passamos a modelar até nossos programas, opiniões e meios de vida em virtude deles?
Vou perguntar isso também pro Ethevaldo Siqueira, quem sabe rola uma boa discussão.