sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O que vale na "comemoração" do gol? (2)


O fotógrafo conseguiu registrar um momento bastante singelo, muito bonito mesmo.


Em tempo: o Boca Juniors perdia para o Vélez Sársfield por 2 a 1, em plena Bombonera, até que, após uma linda jogada de Insua, Riquelme ajeitou a bola na entrada da área e mandou a bola no ângulo para empatar a partida. Mas o lance mais inusitado, que gerou o belo registro acima, surgiu de uma bola quase perdida, num chutão da defesa do Boca para o ataque. Depois de uma rebatida equivocada do goleiro Montoya, Palermo, 'el optimista del gol', acertou um 'cabezazo' a cerca de 40 metros do gol. Um golaço inédito, inacreditável.

Depois veio a comemoração, a foto, que para analisá-la devemos lembrar de alguns fatores.

Palermo e Riquelme convivem no Boca Juniors sem qualquer laço de amizade desde a primeira passagem de ambos pelo clube. Não são próximos, pouco se falam, mas se respeitam. Algo absolutamente normal, são cabeças que pensam diferente e ponto. E a dupla funciona dentro de campo, que é o mais importante.

Apesar da falta de vínculos afetivos, os dois foram capazes de externar toda felicidade que o lance proporcionou, aumentada pela verdadeira 'loucura' que foi o gol de Palermo. Ali era alegria verdadeira, sem qualquer espaço para ressentimentos. Ali estavam os protagonistas da partida, sorrindo um para o outro, unidos, algo que só o futebol e o momento do gol poderiam proporcionar. Se após o jogo cada um foi para seu lado, não cabe a ninguém julgar. O que realmente interessava já havia acontecido, dentro de campo, quando o abraço sincero ocorreu.

Em tempo: Palermo recebeu o cartão amarelo por tirar a camisa. A FIFA e os árbitros realmente não possuem sentimentos. Nem diante da beleza.



5 comentários:

Andre de Paula Eduardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Andre de Paula Eduardo disse...

"A FIFA e os árbitros realmente não possuem sentimentos. Nem diante da beleza."
O sr. acha o Palermo sem camisa bonito?

Coisa minha, mas achei o gol do Martin uma banalidade, obra do acaso. Já vi um gol do Cocu parecido. Coisa minha... Agora, a Elegância do Román ao preparar a bola pro arremate-mais-que-perfeito, é coisa de Mestre. Excesso de elegância, que causa estranheza nesse mundo-bola de correria. Depois do Zizou, é o grande bailarino do futebol, é uma reminiscência de um futebol com ares de coisa romântica, com ares de algo que sentimos não existir. O Riquelme é a contramão do mundo-bola.

Muito oportuna a lembrança dessa "obrigatoriedade" que os comentadores do ludopédio colocam de haver amizade ou coisa assim entre os jogadores. Pelé nem olhava pra cara do Coutinho. Seres humanos não são bonecos da Lego. E frequentemente o talento e distinção do jogador só aparecem em virtude da personalidade. Zico, vistoso na bola e fora; Sócrates, inteligência dentro e fora de campo; Maradona, emoção dentro e fora; Zidane, economia nos gestos e fora de campo frugal nas palavras, tímido até. Garrincha, uma criança dentro e fora das quatro linhas.

Continuo e continuarei a protestar diante da vil omissão do melhor futebol do mundo, o de Cruyff, Neeskens, Van Basten e Bergkamp neste espaço. Isso prova que é uma estratégia orquestrada pelo sr. Pedro Buriti, mais um colOnista do PiG esportes!!

Forte abraço, meu caro (minha avó está louca pra voltar pra Bauru, aí vou também hehehe).

Pedro Leonardo disse...

Caro André

O post em si não é sobre o gol do Palermo, mas as circunstâcias envolvidas ali. O Boca vinha mal no campeonato, foi elimidado da Sulamericana pelo próprio Vélez. Ganhar de virada e com um gol tão incomum (uma 'loucura' como disse no texto) gerou aquele estado, captado pelo fotógrafo, com os sorrisos sinceros de Palermo e Riquelme, e no vídeo com o abraço entre os dois como se fossem amigos antigos. Daí a citada 'beleza' daquele instante da comemoração e da minha intriga com a estúpida regra de dar cartão amarelo a quem tira a camisa.

A jogada do gol de Palermo, como havia dito, nasceu de um meio lançamento, meio chutão pra frente, e de uma rebatida errada do goleiro, um acaso. Mas repare como El Loco faz o movimento para cabecear a bola, uma vez que esta veio baixa e na altura ideal. Não que tivesse convicção do gol ou da força a ser colocada no lance, mas como um bom 'optimista', estava no lugar certo, na hora certa, e fez o movimento perfeito para fazer um gol inédito.

El Loco que, aliás, salvou a Argentina e esta ainda mantém esperança de ir à Copa.

Andre de Paula Eduardo disse...

Pedrão, tá na hora desse blog falar de futebol! Futebol bom é esse aqui, na Segunda divisão do Maranhão (http://www.ole.clarin.com/notas/2009/10/16/futbolinternacional/02020230.html). Deu até no site do Olé.

Aliás, o Blatter parece que vai punir El pibe de Oro pelos poemas pastoris que ele entoou após a classificação albiceleste. O que pensas disso?

Roberto disse...

Gostei do texto e dos comentários do André. Pena que não há mais aquele sofá vermelho e velho com "três pitaqueiros" comentando sobre o que poderia ser o futebol hoje. Saudades de vocês. Não pude vê-los ultimamente pelo excesso de trabalho... abreijos...



Obs: O futebol do Riquelme está com dias contados, dizem que virá para o CURINTIA... o time do Santos está um espetáculo, pena que é feminino...