domingo, 8 de novembro de 2009

Allons enfants de la Patrie

O Doutor Sócrates já havia cantado a bola algum tempo atrás: a seleção francesa só conseguiu fazer frente às grandes seleções quando teve um jogador muito acima da média. Que, quando precisasse, jogasse pelos outros dez. Foi assim com Fontaine, Platini, Zidane. O primeiro levou a França a uma inédita terceira colocação na Copa de 1958, na Suécia. Não pode disputar a final porque no meio do caminho tinha uma 'pedreira', com Pelé, Garrincha, Didi e cia. Os outros dois foram além, conquistando uma Eurocopa cada um. Zizou foi mais além, disputando duas finais de Copa do Mundo e conquistando o primeiro título da França em mundiais.

Destes três, sou contemporâneo apenas de Zizou, mas concordo com a tese do Doutor. Fontaine foi o precursor, colocou a França no mapa do futebol, sendo até hoje o maior artilheiro em apenas uma edição de Copa do Mundo. Depois, um vácuo até Platini, craque que disputou duas semifinais de Copa, em 1982, na Espanha, e 1986, no México, mas não deu sorte contra os alemães nas duas oportunidades. Após Platini, um vácuo de duas Copas sem a participação da seleção francesa, perdendo a vaga para a Escócia em 1990 e Bulgária em 1994.

Contudo, surgiu Zidane para recolocar a França novamente na elite do futebol. Foi o maestr
o da seleção francesa campeã do mundo em 1998, campeã européia em 2000, vice-campeã do mundo em 2006. E mesmo que estas equipes contassem com bons jogadores, dependiam de Zizou para conduzir o time, organizar o jogo, ser referência (com certeza, um dos melhores que vi jogar, talvez o melhor). Era o dono do time; sem ele, era dificuldade à vista. Foi assim em 1998, após pisotear um árabe e ser expulso, quando ficou fora de dois jogos da Copa - contra o Paraguai, a salvação veio em um 'gol de ouro' no segundo tempo da prorrogação. Em 2002, com o maestro machucado, eliminação dos campeões do mundo na primeira fase. Nas Eliminatórias da Copa de 2006 a classificação só chegou após Zizou reverter sua decisão de não jogar mais pela seleção.

Que me perdoem Kopa, Giresse, Tigana, Deschamps, Henry, todos excelentes jogadores, mas, se a França hoje é considerada uma potência no futebol, isto se deve ao trio Fontaine-Platini-Zidane. Sem estes, creio que os gauleses teriam conseguido resultados bem mais modestos, talvez nem fossem campeões continentais ou mundiais. E olha que a França ainda conta com jogadores oriundos de suas ex-colônias na África e América para incrementar o elenco (olha o Zidane novamente!).

O fato é que os franceses novamente passam por maus bocados nas Eliminatórias. Para ir à Copa de 2010, a França precisa passar pela Irlanda na repescagem (jogos de ida e volta na próxima semana), pois ficou em segundo lugar em seu grupo, perdendo a vaga direta para a Sérvia (e isso sem contar com o craque Petkovic!). Tenho certa simpatia pela seleção francesa e, assim, vou torcer para que os ótimos Henry e Ribery conquistem essa vaga, joguem estas partidas da repescagem como uma final de Copa, façam uns de seus melhores jogos da carreira, arrebentem mesmo, honrem a tradição desta camisa de Fontaine, Platini e Zidane. Porque a Irlanda.... a Irlanda ninguém merece.


*Abaixo, um pouco dos últimos momentos de brilho de uma seleção conduzida pelo último de seus gênios




Um comentário:

Andre de P.Eduardo disse...

E ainda há seres inumanos que dizem que o Zizou é o videogame!!! sem citar nomes, é claro hehe. Zizou é o último romântico mesmo; o último maestro do futebol, está pra pelota como Anselmo Duarte pro cinema nacional; como "Os imperdoáveis" pro western; como Brahms pra música etc.

Notei a estratégia vil do colonista Pedro Buriti em enfatizar franceses, teutônicos, bretões em detrimento do Carrossel (não a novela mexicana). É mais ou menos o Estadão, que não fala que o Aécio estapeou a esposa e coloca perfil elogioso da irmãzona do governador. Continuarei a protestar, quixotesco, contra a omissão perpetrada pelo PiG Esportes via seu colonista Pedro Buriti.

Agora, um pouco de música: http://www.youtube.com/watch?v=MtNOov6PFsc