segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Não há palavras



Completando 60 anos em 2010, o velho Maraca é o estádio brasileiro que, com certeza, mais recebeu craques do futebol. Tanto pela seleção brasileira ou clubes cariocas, por ali estiveram o que já houve de melhor. Nilton Santos, Garrincha, Didi, Carlos Alberto, Rivelino, Dinamite, Junior, Renato, Romário. Pelé, o maior e mesmo não jogando por um clube do Rio, também ajudou a escrever a história do Maracanã, como no capítulo do milésimo gol do Rei.

Mas há alguém que representa ainda mais. Aquele que melhor traduziu a atmosfera do maior estádio, da maior torcida, do melhor futebol. Aquele que mais marcou gols no Maracanã. Aquele que fez os melhores jogos da carreira no velho Mário Filho.

Não há como lembrar do Maracanã sem pensar em Zico, em seus anos de Flamengo, dos grandes jogos pela seleção, dos golaços. Ainda não tive a oportunidade de fazer uma visita ao Maraca, mas quando por lá estiver Zico também estará, verdadeiramente presente, para ser lembrado sempre, a cerca de um metro do chão, imortalizado num gol de voleio.

Merece.

domingo, 20 de dezembro de 2009

O futebol do final de semana (e do ano)


Melhores do mundo

Era um Barcelona tímido, como fora em 1992 e 2006. Parece que jogar fora da Europa não é muito a do clube. Contra um bravo Estudiantes, o time espanhol estava numa tiriça daquelas e merecia perder pelo que fez (ou deixou de fazer) no primeiro tempo. Sabendo que não tinha elenco para brigar de igual pra igual, El Pincha fez o que pode para segurar o Barça: marcou muito e apostou nos contra-ataques. Foi um grande gol de Boselli. Na segunda etapa, o Barcelona jogando apenas com um pouco mais de vontade já fazia o suficiente para envolver o time argentino. Era só lembrar que tinha o melhor ataque do mundo. Mesmo assim, foi duro arrancar o empate, que só veio no final da segunda etapa, com o atacante Pedro. Contra um Estudiantes agonizando e com Verón já sem forças, o time espanhol sobrou na prorrogação e chegou ao título com um gol de peito do melhor do mundo, Messi. Quase deu ainda para El Pincha no final da prorrogação com uma cabeçada de Desábato (sim, aquele mesmo que chegou a ser preso no Brasil por ofender o atacante Grafite), mas já era tarde.

Não sei se foi pelo fato do Estudiantes estar no fim da temporada e o Barcelona apenas chegando à metade, mas a diferença de preparo dos times era gritante. Enquanto Verón e seus valentes companheiros se arrastavam na prorrogação, Messi, Ibrahimovic e Xavi pareciam que tinham acabado de entrar. Não podemos dizer que faltou qualidade técnica ao Barcelona, apenas esta deixou de ser exibida em larga escala na partida, sendo suprida pelo preparo físico de seus atletas. Ao Estudiantes, que já sabia da superioridade do adversário, restava correr, marcar, tentar. Quase deu. Faltou gás. Mas foi um bom rival.

Ao Barcelona, os méritos pelo sexto título na temporada. Messi, novamente marcando em uma decisão, chega ao topo do mundo e amanhã, merecidamente, receberá o prêmio. O jogo em si foi chato, mas, ao menos, o gol saiu do peito do melhor do mundo.

Meninas, eu vi (de novo)!

Era um Pacaembu cheio, como estamos acostumados a ver. Não era jogo do Timão, ou de outro clube paulista. Também não era o público tradicional, das torcidas organizadas. Era um público que estava lá para curtir a tarde, um domingo de sol, um entretenimento, um bom jogo de futebol. Um novo encontro entre o Pacaembu e a seleção brasileira. Feminina.

Não era o Barcelona, mas estavam ali as melhores do mundo. E até que o estilo de jogo de Marta e Cristiane lembra o da dupla Messi e Ibrahimovic, respectivamente. Que jogadas as duas fizeram! Também não era o Estudiantes, mas a seleção mexicana estava na mesma situação que a equipe argentina; eram as ‘azaronas’. E saíram na frente, abrindo o placar com um golaço de Dinorá. Mas logo a seleção brasileira reagiu e terminou o jogo goleando as mexicanas por 5 x 2, conquistando o título do Torneio Cidade de São Paulo.

É ótimo que estas meninas e a seleção joguem amistosos, torneios, campeonatos aqui no Brasil e agreguem carinho, respeito e admiração dos torcedores. E, com o tempo, o público vai se acostumando com o futebol feminino, com os times de São Paulo, do Brasil. É trabalho a longo prazo, e não algo que acontece de imediato, apesar do pedantismo de Luciano do Valle.

E como disse o Neto durante a transmissão, aos poucos aprendemos a assistir e comentar o futebol feminino. Vontade ali sobra. As faltas que acontecem, por exemplo, são em sua maioria por excesso de vontade das meninas nas jogadas. E o melhor de tudo é que não há ‘presepeiras’, mascaradas, mal-humoradas, ranzinzas, picaretas. É outro universo, com certeza mais humanizado.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Libertadores 2010 só no Sportv

Esta foi enviada pelo colega Alex Roa. Não sabemos quem foi o 'artista-editor', mas a sacada foi bem legal. Os palmeirenses têm muito a lamentar, afinal, não sobrou nem vaga para Libertadores.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O melhor do Brasil

Foi legal ver o Flamengo campeão brasileiro, voltando a ganhar um título nacional 17 anos depois de sua última conquista. Maracanã lotado, aquela massa toda comemorando, algo simbolicamente muito bonito que rememora os grandes confrontos das décadas passadas. Mas acho que ficamos apenas nisto. Não há mais Zico duelando com Reinaldo, Zico dando caneta em jogador gremista, Leandro entrando como um foguete na área, o jovem Bebeto voando, o vovô Junior levitando.

Petkovic faz por resgatar os bons tempos do rubro-negro e é um dos poucos que contribuem para a sobrevivência do futebol no Brasil. É muito bom que Pet ainda esteja jogando se pensarmos que o torneio teve em sua seleção do campeonato jogadores como Guiñazu e Diego Tardelli. E Diego Souza escolhido como craque da competição.

O título ficou em boas mãos. Despretensiosamente, o Flamengo foi se aproximando dos líderes, que ao longo do torneio foram definhando um a um (o Palmeiras tem muito a lamentar), e já se dava por satisfeito com uma vaga na Libertadores. Foram tantos os vacilos dos concorrentes que a chance real de título pintou nas últimas três rodadas. Em um campeonato marcado pelo equilíbrio, no qual nenhum time obteve destaque ao longo de toda a competição, o Mengão foi o time da chegada, obtendo os melhores resultados na reta final.

Disse que ficou em ‘boas mãos’ porque o Flamengo é algo único no Brasil. Algo que os torcedores das mais diferentes equipes gostariam que seus times do coração fossem. O mais popular, de maior torcida, o mais amado. Diria que o Mengão é o time da integração nacional, que une os cantos deste país. Mesmo que o time não seja nenhum esquadrão e não faça sombra aos grandes elencos do passado, este título foi importante para despertar um gigante adormecido, cuja importância foi sendo dilacerada ao longo dos anos por más administrações, e que pouco freqüentou as grandes decisões nos campeonatos nacionais nos últimos 15 anos.

Um gigante que, por um longo período, se esqueceu de que é ainda o maior do Brasil.


P.S. Sempre quis assistir a uma decisão de título ou um confronto decisivo entre Flamengo e Corinthians. Mas quando um está bem, o outro está mal das pernas. Nunca se enfrentam pra valer mesmo. Já se passaram 25 anos das quartas-de-final do Campeonato Brasileiro de 1984 (quando o Corinthians goleou o Flamengo no jogo de volta por 4 x 1) e 18 anos da Libertadores de 1991 (o Mengão fez 2 x 0 no Timão ainda pela fase de grupos). Falta combinar mais entre eles. Quem sabe no ano que vem.