quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Apuntes de ano novo


Para que serve a Copa São Paulo?

Assistia ao programa Esportvisão, da TV Brasil, quando os comentaristas começaram a debater sobre a situação atual da Copa São Paulo de Juniores. Se ainda é um torneio capaz de revelar talentos. Fiquei sabendo que a edição de 2010 conta com 92 clubes, com participação até de time árabe, com 23 sedes espalhadas pelo Estado de São Paulo para receberem os clubes distribuídos em grupos de ‘A’ a ‘Z’, literalmente.

Devido ao inchaço e à própria forma de (des)organização, fica difícil acompanhar o que de melhor acontece em um copa com quase uma centena de equipes e milhares de jogadores. Os times campeões, os artilheiros e destaques das últimas edições da Copinha, inevitavelmente, caem no esquecimento, engolidos pela efemeridade do torneio que hoje está envolvido em uma nova realidade, na qual deixou de ser prioridade a revelação de jogadores para os clubes.

Esta Copinha atual está repleta de equipes formadas por empresários, jogadores com contratos e multas rescisórias altíssimas, times apenas interessados em negociar atletas. Foi-se o tempo em que o torneio revelava os talentos que depois formariam a base de times importantes, como o Flamengo de 1990 (com Djalminha, Marcelinho, Paulo Nunes e Junior Baiano), a Portuguesa de 1991 (do craque Denner), o Vasco de 1992 (de Pimentel, Leandro Ávila e Valdir), o ‘Expressinho’ Tricolor de 1993, apenas para citar alguns exemplos. Se algumas destas equipes disputassem a Copinha hoje, os principais jogadores já estariam negociados com grandes clubes europeus.

Ainda há talentos, pode ser que sejam vários. Contudo, não conseguirão a atenção que lhe cabem, uma vez que o campeonato em si já não desperta a atenção de outrora. Apesar de levar o nome ‘São Paulo’, ter o tamanho do Brasil e alimentar o sonho de milhares de jovens jogadores, a Copinha, nestes moldes, é pouco atrativa até para quem não assiste futebol no país há mais de um mês. Será que nunca pensaram em fazer seletivas?

Uma lágrima

Muito triste ver a cidade de São Luiz do Paraitinga em ruínas. Não que sejam mais ou menos tristes as tragédias ocorridas em Angra, Baixada Fluminense, Minas, São Paulo, Rio Grande do Sul. Mas cresci lendo, ouvindo e assistindo o noticiário do Vale do Paraíba e São Luiz sempre fez parte do meu imaginário por conta do seu patrimônio histórico, belezas naturais, suas festas, seu carnaval de rua. Uma pena ver tudo arruinado e quase metade da população desabrigada.

Mais triste ainda é ver o governador José Serra ‘visitando’ a cidade destruída, a tempo de aparecer no Fantástico, conforme lembrou o Azenha, e ainda dizer o absurdo que, se depender da vontade dele, haverá o carnaval na cidade, enquanto milhares de pessoas tinham perdido suas casas, seus móveis, tudo. Coisas da ‘jestão’ do nosso governador Joselito, o ‘sem-noção’.

Uma lástima

Acompanhei pela internet a repercussão do comentário lastimável do jornalista Boris Casoy sobre os garis que desejavam votos de feliz ano novo ao final do bloco do Jornal da Band, no dia 31 de dezembro. Apenas vazou no áudio aquilo que já sabíamos há muito tempo: quem é e o que pensa este jornalista.

Dizem que Boris Casoy tem origens das mais sombrias, nos grupos anti-comunistas (CCC). Foi editor-chefe da Folha de S.Paulo, em substituição a Cláudio Abramo, no período da ditadura militar e, posteriormente, foi ser o âncora do TJ Brasil, no SBT, já no final dos anos 1980. Depois que Silvio Santos desmontou o jornalismo da emissora no fim dos anos 1990, Casoy foi para a Record, onde ficou até 2005, quando a emissora de Edir Macedo queria renovar o telejornalismo e dispensou o seu ‘âncora’, representante do que havia de mais antiquado.

Quando dávamos pela sua extinção, eis que a Rede Bandeirantes resgata Boris Casoy do ostracismo (lembro do Luciano do Vale anunciando este ‘retorno’ durante um jogo) e o colocou novamente à frente de um telejornal, pautando a ‘vergonha’ nacional, a ‘grife’ da notícia. Na TV,
Casoy é o jornalista que representa e defende nossas ‘elites’, aquela parcela da população que tem ojeriza ao povo, à classe trabalhadora, aos pobres em geral, ao MST, que é contra as cotas para negros e pobres nas universidades, contra as diversas políticas sociais. A classe que adora estabelecer uma moral para julgar aquilo que é ‘uma vergonha’.

Para Boris Casoy, os garis misturam-se ou fazem parte do próprio lixo que varrem. Não são ‘coisas’ dignas de se apresentar em um telejornal na noite de Ano Novo. Deve ter lhe atacado o fígado quando o
presidente Lula disse aos jornalistas, na Expo Catadores, que poderiam escolher qualquer um dos catadores de material reciclável ali presentes para fazerem as matérias de suas vidas.

Em tempos de Confecom, de discussão sobre controle social da mídia, nada seria mais justo que punir Band e Boris Casoy, representantes da ‘liberdade de expressão’ golpista das famílias que controlam a comunicação no Brasil. Que ANATEL, Ministério Público Federal e Procuradoria Geral sejam acionados. Adoraria ver Casoy prestando serviços à sociedade, varrendo ruas. Ganharia alguma dignidade.


P.S. Faleceu no último dia 4 de janeiro o Coronel Erasmo Dias, ex-secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo durante o regime militar, também foi deputado federal e estadual por São Paulo e vereador pela cidade de São Paulo. Defensor da moralidade e implacável contra a bandidagem. Foi o responsável pelo cerco e invasão da PUC, em 1977, na ação policial que resultou na detenção de 900 estudantes que pretendiam refundar a UNE. Seu sonho era que houvesse um detector para identificar bandidos. Pensei em colocar a imagem do coronel na colagem do início deste texto, mas optei em permanecer com o Joselito.

2 comentários:

Andre de P.Eduardo disse...

Pedrão, já foi até Sete Cidades (se for me avisa hehe).
Nota de pesar: vossa amada Atibaia (a Veneza brasileira) está debaixo dágua. O Zé Alagão não vai fazer nada?

Pedro Leonardo disse...

Rapaz

Acho que não vai dar para ir a Sete Cidades, vai ficar para uma próxima.

Eu vi que Atibaia está sob o caos também, mais em relação aos bairros que ficam próximos ao rio Atibaia. O Zé 'Joselito' Alagão já fez alguma coisa, na verdade, pois a Sabesp abriu as comportas da represa em Nazaré e o volume de água do rio alagou todos aqueles bairros.

Grande abraço.