terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O que vale na comemoração do gol? (3)

Assim como blogueiros, twitteiros e afins disseminaram uma campanha contra a Folha de S.Paulo por conta do caso da ‘ditabranda’, a edição paulista do Globo Esporte mereceria tratamento idêntico, algo do tipo ‘não deu mais para ver’. Não acredito que o telespectador que gosta de esportes tenha se imbecilizado a tal ponto. Na verdade, parece que há uma campanha pela imbecilização. O Globo Esporte praticamente deixou de lado a cobertura jornalística do futebol e de outras modalidades esportivas e investiu em um novo público alvo: a juventude vazia, sem conteúdo, pseudodescolada, fã das gracinhas feitas ao vivo pelo apresentador e de videogame.

Nada contra gracinhas, muito menos videogames (já joguei muito). Mas se pensarmos que se trata da emissora que detém os direitos dos principais campeonatos, que tem a maior equipe de jornalistas cobrindo esportes, com todo investimento feito, o que o Globo Esporte oferece é quase nada. Quem acha que ao assistir o programa ficará bem informado quanto às principais notícias dos times, o que houve de melhor nos campeonatos, os destaques das competições mundo afora, resultados diversos, na verdade acompanhará concursos de belezas (‘musas’ e ‘gatas’ torcedoras dos times), enquetes toscas, piadinhas com jogadores e treinadores, fora os grandes duelos de videogame.
Houve um dia em que a principal matéria do programa era ‘qual é o melhor: Fifa 2010 ou Pro Evolution Soccer 2010’.

Assistindo ao Globo Esporte, o pensamento que fica é que o esporte acabou e levou o jornalismo esportivo junto na mesma vala.

E fora a mediocridade das pautas, o programa também se destaca em lançar campanhas por algum motivo ‘nobre’, como aquela que torcia contra a classificação da Argentina para a Copa de 2010. Agora a bola da vez é a campanha ‘Deixe seu recado’, na qual uma bonita garota segura uma faixa atrás do gol com o logo do programa, indicando onde fica o cameraman do Globo Esporte, e o jogador que faz o gol vai até lá, faz algum gesto e ‘deixa seu recado’, no microfone aberto.

De fato, trata-se de um lobby para monopolizar a atenção dos jogadores, para que estes só falem com as equipes da Globo, priorizem os profissionais ‘globais’ (o craque Neto reclamou disso num post em seu blog). Mas o que mais me incomoda é a ‘desnaturalização’ da comemoração. Tudo é pensado, planejado, previamente manipulado. O jogador faz o gol, corre para a câmera, faz um coraçãozinho, manda um beijo pra namorada. Tudo sem emoção, ‘fake’, sem personalidade.

Em vez do árbitro punir o jogador que tira a camisa na comemoração, deveria sim castigar aquele que corresse para a câmera da Globo e fizesse ‘coraçãozinho’ ou dançasse o ‘Rebolation’. Deveria ser expulsão direta. Por dissimulação.

4 comentários:

Andre de P.Eduardo disse...

Clap clap clap!
Não dá pra acreditar que a molecada leve a sério esse excesso de palhaçadas. E leva. Não tem pra onde ir mesmo. Só resta fugir.
Abraços.

Cláudio Coração é jornalista disse...

Parabéns pelo texto. Outra vez, esclarecedor e desnudador!

CrápulaMor disse...

Nossa, e eu ainda tinha a convicção de que a Record era a mais apelativa e mais preocupada com Ibope. No mínimo, a diferença tá diminuindo bastante!

Pedro Leonardo disse...

Para ganhar algum fôlego voltaram-se para um segmento, mas baixaram completamente o nível.