quarta-feira, 23 de junho de 2010

Apuntes da Copa (10) – A loucura sul-americana


Com certo atraso, mas sempre em tempo de comentar os quebra-canelas.

- Uruguai 1 x 0 México – Que armação que nada, isso é coisa de alemães e austríacos. Uruguaios e mexicanos se enfrentaram para valer e honraram as vagas conquistadas para as oitavas. Os mexicanos foram pra cima e os uruguaios apostavam no contra-ataque. No final do primeiro tempo, Luís Suarez fez o gol que deixaria os uruguaios na primeira colocação do grupo, deixando os mexicanos preocupados, pois os sul-africanos demonstravam que atropelariam os franceses na outra partida. Não foi o que aconteceu. O Uruguai foi melhor que o México, atacou bastante, tem um belíssimo jogador, Forlán, que honra a tradição das gerações de 1930 e 1950. Depois de 20 anos, os uruguaios voltam a disputar um jogo de oitavas-de-final, contra os sul-coreanos, e têm grandes chances de chegar às quartas. Os mexicanos se garantiram em segundo, pelo saldo de gols. De castigo, terão os argentinos pela frente. É bom irem treinando desde já.

- África do Sul 2 x 1 França – O jogo do desconsolo. Do adeus. Da vergonha. Um pouco disso tudo. Os sul-africanos até que tentaram, chegaram a sonhar com a vaga quando abriram 2 x 0 no placar, com Khumalo e Mphela. Mas quando precisavam demonstrar força, quando a qualidade técnica foi necessária para ampliar o marcador, via-se claramente que a conquista da vaga estava muito além da conquista da honra, que foi a consolação para os sul-africanos. Ao menos, despediram-se com vitória, uma recompensa para os animados e vuvuzeleiros torcedores. Não sei como deve estar a cabeça dos jogadores franceses. Tristes pela eliminação? Com vergonha do papelão? Aliviados por se livrarem de Domenech? Apostaria na última opção. O lateral Evra disse que revelará “toda a verdade” e “tudo o que passou como capitão do time”. De acordo com o jogador, há uma razão para o fracasso. Não sei se os franceses vão aceitar os argumentos, mas se trata de uma atitude digna de Evra. Como capitão do time, vai dar a cara para bater, sem medo, pois deve uma satisfação aos torcedores e sabe que as coisas poderiam ter sido diferentes. E que há culpados nesse vexame, além da falta de um jogador como Fontaine, Platini ou Zidane.

- Nigéria 2 x 2 Coreia do Sul – Os nigerianos perderam gols demais nos três jogos. Apesar dos gols marcados contra a Coreia do Sul,
o perdido por Yakubu no segundo tempo definiu bem o que foi o ataque nigeriano nesta Copa. Faltou calibrar o pé. Mais uma seleção africana que se despede. Pela incompetência dos nigerianos e mediocridade dos gregos, os sul-coreanos ficaram com a segunda vaga do grupo e terão que se desdobrar contra os impávidos uruguaios. O interminável Park Ji-Sung comanda bem o time sul-coreano. Mas vai precisar de algo mais além da velocidade para repetir a ótima campanha de 2002.

- Argentina 2 x 0 Grécia – Os argentinos treinaram ataque contra defesa diante dos medonhos gregos, que só batiam, escorregavam e pisavam umas não sei quantas vezes na bola. Aliás, era o ataque reserva argentino, pois os botinudos gregos não faziam por merecer jogar contra o time titular. Os argentinos jogaram o suficiente, o time continuava muito técnico, Maradona pode testar jogadores como Otamendi, Bolatti e Clemente Rodriguez, que atuaram bem. Não havia muito entrosamento, mas o necessário para incomodar bastante o goleiro grego Tsorvas. O “capitão” Messi estava digno da braçadeira, com seus dribles e jogadas espetaculares. Por que a bola não entra? Melhor pegar alguma dica com Palermo. Nas oitavas, um reencontro com os mexicanos, que até agora lamentam aquele chutaço de Maxi Rodriguez. Por sua vez, os gregos terão que aguardar novos tempos áureos e continuar recordando a época de Péricles daquela Eurocopa. E como é legal ver Palermo marcar um gol. Sempre “optimista”, sempre uma loucura. Antes de entrar em campo, Maradona lhe disse: “Jugate la vida, matate”. Nem precisava dizer.

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