segunda-feira, 28 de junho de 2010

Apuntes da Copa (14) – Erros, shows, tradição e mudanças de comportamento

De trás para frente.

- Alemanha 4 x 1 Inglaterra – Não adianta ficar reclamando da arbitragem.
O juiz e o bandeira não viram o tanto que a bola entrou no chute de Lampard? Não. Erro absurdo? Sim. A Inglaterra poderia almejar algo mais? Talvez. Mas é assim mesmo, arbitragens não são infalíveis e a juizada costuma vacilar de vez em quando. Sorte para uns, azar para outros. E os alemães, no geral, foram muito melhores que os ingleses. Schweinsteiger marcando e saindo para o jogo, Müller e Podolski jogando certinho, Klose, como sempre, incomodando lá na frente e pegando as rebarbas, o garoto Paulo Miklos Özil, “sul-americanamente”, enfileirando os rivais - talvez seja a grande revelação desta Copa. O próprio Gerrard admitiu que os alemães estavam impossíveis. Se os ingleses tivessem se esforçado um pouquinho mais na primeira fase, teriam evitado o confronto precoce com os alemães. Voltarão para casa de cabeça cheia, com o sentimento de terem sido atropelados por um trem e com um gol absurdamente não marcado entalado na garganta. Mas é assim mesmo, afinal, já ganharam uma Copa com um gol que não foi. Os alemães são sempre assim, vão de mansinho, parecem não estar interessados no jogo, mas chegam lá e abocanham. A diferença é que agora há jogadores talentosos em maior número que os tradicionais tanques, como o desengonçado reserva Mario Gomez. Vão ter os argentinos novamente pela frente. Pelo que vêm jogando, ambos, alemães e argentinos, mereciam mais que só uma quartas-de-final. É assim mesmo, acontece.

- Argentina 3 x 1 México – Não adianta ficar reclamando da arbitragem. Foi impedimento escandaloso no primeiro gol de Tevez? Foi. O bandeira quase voltou atrás na marcação quando viu o lance no telão? Sim. Mas o que os mexicanos podiam fazer diante do fantástico ataque argentino? No mínimo não facilitar as coisas, como Osório fez no lance do gol de Higuain. Quando estão com a bola, Messi, Tevez e Higuain são impossíveis. Não foi uma boa partida tática dos argentinos, mas quando foi preciso decidir não falharam. Tevez estava inspiradíssimo, pressionou e atacou muito, fez um golaço-aço-aço e foi injustiçado por Maradona ao ser substituído. Higuain, goleador, Messi, só parado na falta, um espetáculo. Desta vez, a zaga argentina foi testada e levou susto a todo momento. Mas venceu o melhor, indiscutivelmente. Agora vem o clássico com os alemães, um jogaço de campeões, um duelo digno de final, mas pelas quartas. Mas é assim mesmo. Aos mexicanos fica a dica: não deixem mais os argentinos chutarem de fora da área. E aconteça o que acontecer, todos os olhos do mundo estão em Maradona.

- Uruguai 2 x 1 Coréia do Sul – E olha o Uruguai aí! Num jogo molhado, os uruguaios se mostraram mais técnicos e dominaram as ações do jogo. Com aquele aguaceiro caindo, não dava para os sul-coreanos jogarem em velocidade. Aí faltava técnica. Melhor para os uruguaios, que tocavam melhor a bola e chegaram à vitória com dois gols de Suárez, artilheiro da Celeste. Depois de 40 anos, os uruguaios voltarão a disputar uma quartas-de-final. O time chegou à África do Sul como o pior sul-americano das Eliminatórias, desacreditado, como provável eliminado num grupo com França e México. Mostrou força, garra, disposição, honrando a tradição das equipes de 1930 e 1950, renascendo para o futebol, lembrando a todos que são bi-campeões do mundo. E que tem camisa. Bonita, é verdade.

- Gana 2 x 1 EUA – A África segue. Sofrido, dramático, na prorrogação, mas os ganenses tiveram mais fôlego que os estadunidenses nos cento e vinte minutos. O time ganense estava mais solto, mais leve, menos afobado e marcou um gol relâmpago com Boateng. Os favoritos norte-americanos parecem só saber jogar no segundo tempo, quando empataram o certame com um gol de pênalti de Donovam. Depois, muitos lances foram perdidos pelos americanos e os ganenses conseguiram arrastar o jogo para a prorrogação. E no tempo extra não dá para esperar muito de tática, técnica, toque de bola, só coração na ponta da chuteira. E num balão da zaga ganense para o ataque, o “inderrubável” Gyan mostrou toda sua força após a trombada do zagueiro norte-americano Bocanegra e fuzilou o goleiro Howard. E os ganenses seguem, terão os bravos uruguaios pela frente e pretendem mostrar ao mundo que não vivem só de torneios sub-20. Vão na onda do artilheiro Gyan, o craque da camisa número 3. Número 3? Tudo bem, mas nunca vi artilheiro com a camisa 3. E fim da linha para os norte-americanos, que, aos poucos, vão se animando e mostrando ao mundo que futebol não é só coisa para meninas.

Nenhum comentário: