terça-feira, 29 de junho de 2010

Apuntes da Copa (15) – Instinto coletivo

- Holanda 2 x 1 Eslováquia – Se estamos falando de instinto coletivo, o que Robben estaria fazendo aí sozinho? É que o jogador era a “peça” que faltava para fazer o time holandês se soltar um pouco mais. Só um pouco mais mesmo. Mas o time é outro com a presença de Robben, se movimenta mais, se aproxima mais, chuta mais. Robben anotou o seu, Sneijder também, não tiveram grandes preocupações defensivas durante o jogo, a não ser no finalzinho. Os eslovacos até que tentaram, mas faltou time para enfrentar um europeu bem melhor que a Itália. Mas cumpriram bem a meta, chegaram as oitavas, mandaram um belo “va fanculo” aos italianos e, por enquanto, ainda têm um dos artilheiros da Copa. Aliás, sensação estranha deve ter tido Vittek ao cobrar o pênalti, fazer o gol e, de imediato, ver o juiz encerrar a partida. Não deu tempo nem de pensar. E os holandeses terão novamente os brasileiros pelo caminho. Sempre jogos disputadíssimos, históricos. Mas para ganhar do Brasil, mesmo tendo um dos melhores elencos do campeonato, vão precisar colocar um pouco mais de sangue nesses olhos, vibrar um pouco mais. Robben é um ótimo alento. Esse rapaz dá um bom suco.

- Brasil três, Chile nada – os chilenos podem jogar umas cem partidas seguidas com os brasileiros e a chance de conseguir um resultado positivo ainda será menor que zero. Não adianta Bielsa fazer aquelas caras todas. Esses são fregueses convictos. O melhor adversário possível para o estilo de jogo da seleção de Dunga. Marcam pouco, dão espaços, perdem a bola toda hora na intermediária, erram muito. Resultado: vitória fácil, sem maiores surpresas aos brasileiros, jogando um futebol simples, sem muita onda, só o suficiente mesmo. Não dá para avaliar muito a seleção brasileira depois de um jogo contra o Chile. Jogando mal ou bem, vence quase 100% dos confrontos, muitos por fáceis goleadas. Se o Brasil perdesse para o Chile é porque precisaria trocar todo mundo mesmo. Mas o Brasil vai indo, no ritmo do treinador, com um conjunto forte, sem estrelas, sem muito brilho, levando poucos sustos. Robinho marcando o seu, Fabiano sempre atento, Dani Alves melhor, Ramires estava muito bem, mas levou amarelo e está fora do próximo jogo (quem será o novo volante nesse revezamento todo?). Agora um novo reencontro com os holandeses, um jogo pra valer mesmo, jogo de cabra bom. Porque contra os chilenos é covardia. Pode jogar com uns dois, três jogadores a menos que eles não ganham.

- Espanha 1 x 0 Portugal – Parecia que ia ser um jogão pelos primeiros minutos. Faltou darem continuidade. Mas, pela primeira vez, o tão falado conjunto espanhol compareceu – sim, mas na segunda etapa. Iniesta chegando, Xavi conduzindo, Xabi Alonso dando aquele suporte, Sergio Ramos ganhando todas, todos sem ficar só trocando passes, cozinhando o jogo. E Villa fazendo gol novamente. Parece que é só ele que faz mesmo. Os espanhóis não deram chances à turma de Cristiano Ronaldo, que só conseguiram jogar na primeira etapa. Depois, foram anulados por completo. Portugal tem um time bom e CR7 deveria ter chamado a “responsa”. Poxa, é Copa! Mas não assustou mesmo, saiu-se melhor nos telões dos estádios – até os telões esperavam algo mais. Os espanhóis seguem e terão pela frente os impávidos paraguaios. Jogo duro, os espanhóis são favoritos, mas precisarão fazer os gols que vêm perdendo. E como perdem! Ainda há tempo.

- Paraguai 0 (5) x (3) 0 Japão – Jogo sofrido. Os japoneses jogaram enquanto tinham velocidade. O “turbo” acabou, precisaram mostrar um pouco da técnica e deu para ver que não tinham muita. Os paraguaios tinham mais controle do jogo, uma técnica mais apurada, mas, como sempre, preferiram não arriscar muito. No geral, jogo pegado, disputado, com algumas chances de gol de ambos os lados, mas faltou vontade. Vontade de ganhar logo, pois parecia que os dois times já estavam aguardando os pênaltis desde o começo. Nos quesito penalidade, paraguaios irretocáveis, Komano mandando a bola no travessão. E, pela primeira vez, o Paraguai avança às quartas. Vão dar um trabalho danado ao time espanhol, pois sabem segurar um jogo como ninguém e, às vezes, até esquecem que tem uns bons atacantes lá na frente, ao contrário de outras épocas quando só tinham bons defensores. Logo me lembro de 1998, daquele duelo contra os franceses, sem Zidane, suspenso por ter pisoteado um saudita, aquela luta dos paraguaios para rechaçarem as bolas, os franceses não conseguiam criar jogadas, aquele Djorkaeff não jogava nada, os paraguaios resistindo, Gamarra jogando muito com o ombro machucado, até que Blanc encontrou o caminho das redes naquela prorrogação e eliminou os paraguaios no Golden Goal. Mas o Paraguai está aí novamente. E com uma torcida vibrante.

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