terça-feira, 15 de junho de 2010

Apuntes da Copa (5) – Vacas magras

- Nova Zelândia 1 x 1 Eslováquia – Como diria o Neto, “falar a verrrdade”, não quis assistir ao duelo entre neozelandeses e eslovacos. Algo me dizia que nada perderia de relevante, a não ser os mesmos chutões, cruzamentos na área e passes errados que prevaleceram em outros jogos da Copa. Tive a sorte de apenas ver alguns momentos pela internet. Creio que o lance da furada bizarra do goleiro neozelandês Paston dá uma idéia do nível do futebol praticado. As exceções foram os gols de cabeça de Vittek (impedido) para os eslovacos e de Reid para os neozelandeses. De resto, mais gente que foi para a Copa só para maltratar a bola. Esperava-se mais dos eslovacos, que deixaram para trás nas eliminatórias seleções como Polônia, República Tcheca e Ucrânia. Frustrante. Já a Nova Zelândia deve comemorar muito este empate, pois se os seus jogadores achavam que seriam o saco de pancadas da Copa, agora devem estar muito contentes ao notar que estão no mesmo nível de uns 70% das seleções do torneio.

- Costa do Marfim 1 x 1 Portugal – Ufa! Um duelo em que as duas equipes estavam mais interessadas na vitória do que cuidar da defesa e não sofrer gols. Não queriam decidir a classificação contra o Brasil. Por ironia, o jogo terminou 0 x 0. Costa do Marfim e Portugal possuem jogadores talentosos, sabem tocar a bola, têm atacantes decisivos, mas não conseguiram executar a “jogada final”. Errava-se o último passe, o cruzamento saía errado, o chute ia torto. Com exceção de Drogba, um pouco sem ritmo, os marfinenses estavam com o vigor em dia, marcaram bastante, caçaram Cristiano Ronaldo em campo. Os portugueses tentavam as jogadas pelo meio e laterais, mas os passes esbarravam na marcação adversária – tiveram a melhor oportunidade num chutaço de Ronaldo, que acertou a trave. No geral, foi um jogo menos técnico e mais de pegada. Ao menos, havia jogadores que sabiam o que fazer com a bola. Vão dar bastante trabalho à seleção de Dunga.

- Brasil 2 x 1 Coreia do Norte – Não adianta criticar o Dunga, pois o time vai ser esse até o final, seja qual for o final. O time brasileiro é previsível, não é dos mais criativos e quase sempre se complica e joga mal quando tem um adversário retrancado. Kaká estava irreconhecível e o meio de campo sofria para ultrapassar os velozes norte-coreanos. De diferente, talvez as arrancadas de Lúcio, que estão cada vez mais bizarras. Apenas Robinho demonstrava algum brilho, com dribles e passes precisos. Um misto de chute com cruzamento de Maicon deu mais tranqüilidade ao Brasil, que ainda faria o segundo gol com Elano, após belo passe de Robinho.

Sobre o lado norte-coreano não há muito o que falar. Talvez sobre o choro de Tae-Se no momento do hino, não sei. Sobre futebol, o time joga numa retranca danada e tenta a sorte nos contra-golpes com seus jogadores velocistas, mas pouco habilidosos. Conseguiu a proeza de fazer um bonito gol, com Yun-Nam, o que já está de bom tamanho. E pode complicar a vida de marfinenses e portugueses, o que seria de bom grado aos brasileiros.

Da seleção brasileira não há muito o que esperar. O elenco não permite muitas variações de jogo, no máximo colocando mais um atacante ou o coringa Dani Alves. Mas assim como ocorre com as grandes seleções, fica a esperança do torcedor brasileiro de que o time “cresça” durante a competição. Pelo que se viu, Dunga não tem muito a esconder nos treinamentos, pois é sempre mais do mesmo daquilo que vem sendo demonstrado nos últimos quatro anos. Conforme a coerência do treinador, não deve ocorrer nenhuma mudança. No máximo, de comportamento.

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