segunda-feira, 21 de junho de 2010

Apuntes da Copa (8) – A mão que cura

- Paraguai 2 x 0 Eslováquia – Os paraguaios deixaram para trás a “síndrome de coitadinhos” e foram para o ataque contra os eslovacos. Valdez, Barrios e Santa Cruz formaram um ótimo trio ofensivo e deram uma canseira danada no fraquíssimo time da Eslováquia. Mostraram bom toque de bola, tramas envolventes, lembrando a equipe que fez bela campanha nas eliminatórias. Bonitos os gols de Vera e Riveros, depois de ótimas jogadas do ataque paraguaio. Tinham time de sobra para encurralar e vencer os italianos na primeira rodada, mas respeitaram demais a Azurra. Agora dependem de si mesmos para terminar em primeiro lugar do grupo. Apesar do pouco futebol, os eslovacos ainda seguem com chances de classificação caso vençam os italianos na última rodada e os neozelandeses “tropecem” diante dos paraguaios. A julgar pela partida que viria a seguir, a missão não é impossível. Gostei do Paraguai. Já pensou se pudessem contar com “ El Gordo” Cabañas?

- Itália 1 x 1 Nova Zelândia – Uma partida para o torcedor simpatizar com o time mais fraco. Só o futebol mesmo pode proporcionar equilíbrio entre um time quatro vezes campeão do mundo e outro acanhadíssimo – numa visão muito otimista. Falta tudo ao time italiano: ousadia, inspiração, qualidade, técnica. Assim, fica fácil para um time fraquíssimo, como o neozelandês, nivelar o jogo contra um suposto gigante. Na única bola que foi ao gol italiano durante todo o jogo, Smeltz deixou a Nova Zelândia em vantagem, logo aos seis minutos da primeira etapa. Os italianos chegaram ao empate por meio de um pênalti em De Rossi e convertido por Iaquinta.

Depois disso, era o time grande contra o time pequeno. O time grande atacava, mandava bola na trave, fazia jogadas na raça, chutava, cruzava bolas na área, mas não adiantava. O goleiro do time pequeno salvava, a zaga do time pequeno tirava em cima da linha, o time pequeno mandava a bola pro mato, o time pequeno ainda quase conseguia o gol da vitória. Realmente, não tinha como não torcer para a Nova Zelândia. Se os italianos vencessem seria injusto, pois nada jogaram para merecer, e já que fizeram por nivelar um jogo contra um time quase amador, o empate era o resultado mais justo. Ainda há chances de classificação para os italianos, que são acostumados a conquistar a vaga na bacia das almas e depois brigar pelo título. Os neozelandeses têm chances mínimas contra os paraguaios, mas poderão dizer a todos que jogaram de “igual para igual” contra os campeões do mundo.

- Brasil 3 x 1 Costa do Marfim – O campeão voltou? Ainda é cedo para dizer, mas o jogo de hoje segue a lógica dos últimos quatro anos da seleção de Dunga: se o adversário vacilar, é caixa. A Costa do Marfim tinha mais volume de jogo, mas deu liberdade aos jogadores brasileiros. Kaká e Luís Fabiano estavam mais acesos e resolveram o jogo para o Brasil. Não teve jeito, vacilou contra o Brasil, é cerol. No lance mais curioso e bonito da partida,
Luís Fabiano disputou uma bola no alto com a defesa marfinense, arrancou, deu dois chapéus seguidos, matou a bola no braço e fuzilou o goleiro Barry. Uma jogada digna de Romário, com um leve “toque” de Túlio Maravilha. Curioso foi o árbitro interpelar o atacante brasileiro se a jogada tinha sido com a mão
. Se o juiz achou que foi com a mão, por que não anulou? O bom moço Kaká ainda foi expulso por uma jogada boba, juvenil até, pois era evidente que os adversários provocariam a sua expulsão.

Os marfinenses marcaram menos que contra os portugueses, mas bateram mais. Perderam-se no jogo, não conseguiam fazer a bola chegar com qualidade a Drogba. Quando conseguiram, o saldo foi uma cabeçada para fora e outra para dentro. Dentre as seleções africanas, e também entre várias de outros continentes, com certeza é a melhor, mas também deve voltar para casa mais cedo. Vai pagar o preço por ter caído no grupo mais forte.

Quanto ao volume de jogo brasileiro, muitos erros de passes e dificuldades na criação de jogadas, tanto pelo meio, como pelas laterais. Mas, no geral, os brasileiros estavam mais soltos que na estreia e fizeram três gols num forte adversário. Porém, é fato que, com a bola nos pés, o time brasileiro é melhor na individualidade do que na coletividade. O time de Dunga lembra muito o Brasil de 1994, firme na marcação, com poucos lances de brilho. Ao menos, Luís Fabiano lembrou um pouco daquele Romário, inusitado, decisivo. Tudo bem que foi escandalosamente com a ajuda do braço, mas, até a próxima rodada, será o lance mais comentado e livrará um pouco a pele de Dunga, totalmente descontrolado ao final da partida e na coletiva com os jornalistas. Será que a mão de Luís Fabiano é a mão que cura?

2 comentários:

Verônica Lima disse...

Apesar de suas injustiças (rs!), eu devo comentar que a Copa faz mais sentido com as suas análises.

Beijos!

Pedro Leonardo disse...

Sim, confesso que fui muito duro nas críticas. Havia menos pachequismo e mais histeria, principalmente por causa daquele goleiro brasileiro. Mas foi legal assistir à partida em vossas companhias, fui embora para casa bem feliz, não pela seleção, mas sim por todos ali presentes.

Quanto às análises, não gosto muito de descrever detalhes. O negócio é ter percepção das "escenas", por vezes escondidas em meio ao caos informativo. Essas sobre a Copa são bem tragicômicas, mas totalmente sinceras. Quando você não tiver nada mais interessante para ler, o que é bem difícil, passe por aqui.

Bjs!