quarta-feira, 7 de julho de 2010

Apuntes da Copa (18) – Se fueran todos

- Holanda 3 x 2 Uruguai - Os uruguaios lutaram bravamente, não se entregaram em nenhum momento, foram para cima dos holandeses, jogaram como uma seleção bicampeã do mundo deveria jogar. Faltou pouco para conseguirem uma nova prorrogação, outra disputa por penalidades. A grande vantagem dos holandeses estava na quantidade de jogadores capazes de fazer a diferença na partida, enquanto o Uruguai depositava todas as esperanças no craque Forlán, rodeado por 10 esforçados jogadores, tentando equilibrar o jogo na base da raça (tanto que Cáceres quase arranca a cabeça de De Zeeuw ao tentar uma bicicleta).

Os holandeses, pouco inspirados, fizeram por equiparar o certame com os uruguaios. Nada daquelas boas jogadas do jogo contra a Eslováquia, nada daquela firmeza do segundo tempo contra o Brasil. Talvez a pior partida da Holanda nesta Copa. Mas foi tudo muito preciso, certeiro, milimetricamente perfeito para os holandeses. Um “tirazo” de Van Bronckhorst na gaveta (na “forquilha” mesmo), um chute bem no cantinho de Sneijder (com uma ajudinha do bandeira que não marcou impedimento de Van Persie) e um cabeceio perfeito de Robben, no pé da trave. Fizeram só o suficiente mais uma vez. Pelo lado uruguaio, Forlán se esforçou, estava jogando com dores, mas errava a maioria dos passes e lançamentos. Ainda assim fez um gol numa bonita jogada, num peruzaço de Stekelenburg. Quando os holandeses todos já comemoravam a classificação, os uruguaios ainda tiveram forças para diminuir a diferença com Maxi Pereira já nos acréscimos. O Uruguai ainda teve mais três minutinhos para tentar alguma coisa, um sufoco, um lateral batido na área, uma rebarba, mas não foi desta vez. Mais uma final de Copa sem sul-americanos.

Depois de 32 anos, os holandeses voltam a uma final de Mundial. Poderiam ter disputado outras neste meio tempo, tiveram bons jogadores, bons times, muita expectativa. Mas a geração de Van Basten não conseguiu uma vitória sequer em 1990 e a de Bergkamp esbarrou no Brasil por duas vezes. Este grupo atual é, sem dúvidas, um dos melhores elencos deste Mundial. Boa parte deste time de 2010 já estava em 2006, naquela “briga de foices” com os portugueses, e na Euro em 2008, quando atropelaram italianos e franceses, mas foram parados pelos russos. Uma geração que já fez a fama pelos principais clubes europeus nesta década, com exceção de Bronckhorst que é o remanescente dos tempos de Bergkamp. O treinador Van Marwijk preferiu montar um time mais recuado, mais marcador, com pontas não tão pontas. Vale lembrar que os jogadores de ataque da Holanda também não ocupam as mesmas posições em seus clubes. Mas é um time forte, com ótimos jogadores, que não foram brilhantes, porém decidiram as partidas quando foi preciso. Um time que não empolga, mas respeitável por seus jogadores e pelo retrospecto – não perdem desde aquele jogo contra os russos, em 2008. Afinal, elenco serve para isso: ganhar uma Copa.

Mas ninguém sairá deste Mundial com o ânimo mais renovado que os uruguaios. Sim, os mesmos uruguaios que se classificaram para o Mundial lá na rabeta, atrás de brasileiros, argentinos, paraguaios e chilenos. Os mesmos que jogaram uma repescagem sofrida com os costarriquenhos e quase perderam a vaga no último jogo em Montevidéu. Os mesmos que eram apontados como meros coadjuvantes num grupo com franceses, mexicanos e sul-africanos. Nas últimas décadas, os uruguaios se distanciaram muito de brasileiros e argentinos, não conseguiram formar boas equipes e foram perdendo espaço para colombianos, chilenos, paraguaios, equatorianos. Perderam o respeito. Chegaram desacreditados para esta Copa, quando ninguém acreditava que esta equipe poderia chegar à segunda fase. Fizeram mais, classificaram-se em primeiro, eliminaram os franceses, passaram pelas oitavas, fizeram um jogo inesquecível pelas quartas, equilibraram um jogo improvável na semifinal. Nem Eduardo Galeano acreditaria.

Chegaram pensando em uma boa campanha, terminaram sonhando com o tricampeonato. Bonitas foram as palavras de Abreu ao dizer que o terceiro lugar será algo muito importante para os uruguaios. “Graças a Deus, somos uruguaios e não nos conformamos”, disse El Loco, já preocupado com o jogo de sábado e em manter o prestígio dos bicampeões do mundo.

Um comentário:

Andre de P.Eduardo disse...

Olá. Vou postar minha opinião. Sem botinadas, viu? hehehe.

Texto belíssimo e encantador. Fiquei feliz pelas lembranças dos nomes queridos, mas é pessoal. Nunca vi o sr. escrevendo tanto Bergkamp na minha vida hehehe. O sr. sabe que é dos meus ídolos. Acompanho o mancebo desde que ele foi jogar no Arsenal, praticamente.

Ontem, a Holanda não fez sua pior partida na Copa, mas a pior na fase mata-mata. Resumiria assim: comçou com a tranquilidade de sempre; gol; empate no final contra um Uruguay limitado e guerreiro. Uruguay pra mim é o Forlán, um "baita jogador". E é mesmo. Sabe das limitações do time, e não medo de pegar a pelota e virar pro gol. Stekelenburg tomou um frangaço (segundo os idiotas da Globo foi a bola etc).

Até 20 do segundo tempo: Holanda irreconhecível. Errando passes, coisa que não faz. Por sorte, não tinha uma Alemanha como adversário.

Gol do Sneijder, e aqui deixo a polêmica do dia: gol legítimo. Não é torcida pró-Holanda não. A regra tem seu aspecto interpretativo, e o bandeira, de sua posição, deve ter visto o Van Persie à frente, mas pode não ter julgado que ele estaria atrapalhando o goleiro. Essa opinião de "gol ilegal" foi unânime, creio que porque a bola passou quase (quase) desviando no V. Persie.

Kuyt, de quem nunca fui lá grande fã, está muito melhor que o Van Persie, tão mal quanto Fernando Torres. Quase um inútil em campo. Kuyt acertou e Robben matou o jogo.

Daí a Holanda dominou e perdou dois gols, um deles incrível, com o Robben. Poderia ser 4x1.

Mas como é futebol, 90 do segundo tempo, já sem Forlán, e Uruguay arranca um gol. Daí mais 4 minutos de pressão infértil. Holanda na final.

Para a Holanda na final: Van Bommel, controle a cabeça! Van Persie, faça um gol ou acerte uma tabela; Robben, levanta a cabeça e toque a bola. Sneijder é o melhor do time. Tomara que Van der Vaart continue no time. Fica difícil depender só do Sneijder pra armar o jogo.

Se fosse o técnico, teria lançado logo nas oitavas o Ryan Babel no lugar do V. Persie. Notou que a Holanda só tem UM reserva, daqueles que entram durante o jogo: o Eliah? O técnico confia bastante no elenco...

Como disse uma vez, talvez o selecionado "menos bom" que vi jogar da Holanda. Em 98, era bem melhor. 94 idem; 94 era o meio termo entre os "velhinhos": Rickjaard, Koeman, Van Vossen, Winter. Van Basten tinha 27 anos, por aí, deveria ter formado o ataque com o jovem Bergkamp (melhor do mundo segundo a France Football em 94). Van Basten machucado, como sempre, iria encerrar a carreira logo depois.

O time tinha as promessas Bergkamp, Overmars, irmãos de Boer, aos quais se somariam Davids, Seedorf, Zenden, Stam, Kluivert e outros talentos.

A Holanda deu show na Euro 2000. Atropelou quem apareceu. Pegou nas quartas a (ainda) Iugoslávia. 6x0. Depois nas semis o timeco profissional da Itália. 0x0, penaltis, deu Itália. "ô tiriça!"

Como tem 5 mil países na Europa, Holanda não foi em 2002, e em 2006 foi um time meio gasto à espera de renovação.

2008 encantou até perder o controle contra a ridícula Rússia.

2010, na Copa, repete aquele time, mas até aqui não perdeu o controle, e tem todos os setores do time muito bons.

Engraçado, até aqui só eu gostava da Holanda no Brasil... tirando a galera de Holambra hehe. A camisa Laranja é a que mais vende nesses últimos dias.

A torcida é pra que o veterano Giovanni Von Bronckhorst, dos tempos de Bergkamp aina, erga a taça e faça homanagem a um trabalho que começou com Rinus Michels, com Cruyff, com Rep, com os irmãos Kherkoff, com Rensenbrink, com Neeskens.

Bem, não é exatamente isso que o Instituto Minha Kasa diz hehe.

Abraços!