quinta-feira, 8 de julho de 2010

Apuntes da Copa (19) – O mundo dá voltas

- Espanha 1 x 0 Alemanha – O que houve com os alemães dos últimos jogos? Irreconhecíveis, não saíam para o jogo, não se aproximavam, não tabelavam, não chutavam. Pareciam perdidos sem a presença de Müller. Talvez inibidos diante do volume de jogo e do toque de bola adversário. Os espanhois entenderam que só poderiam vencer a partida se sufocassem os alemães, se não os deixassem respirar, se fizessem melhor do que os alemães fizeram até aqui. Assim, não podiam continuar com aquele “futebol de lado” apresentado contra os paraguaios, pouco objetivo, dependente dos arremates de Villa. Mudaram a atitude, saíram da inércia. Tocavam a bola para frente, não davam espaços. Jogaram como um Barcelona. A entrada de Pedro deu outro fôlego ao time, que antes jogava com um a menos com Torres no ataque. Iniesta, Xavi e Xabi Alonso chegavam sempre com muito “apetite” na frente. Eram verdadeiros leões. Furiosos.

Foi um jogo duro, difícil, menos para os espanhois, mais para os alemães, que só demonstravam alguma força em raros contra-ataques. Mas apesar do amplo domínio, a Espanha desperdiçava as oportunidades. O gol só veio na bola parada, num escanteio, num vôo de Puyol sobre os zagueiros. Poderiam ter feito mais gols, o fominha Pedro desperdiçou a melhor chance de todas. Mas fizeram o suficiente para garantir a classificação diante da equipe que era apontada como a melhor do torneio.

Campeões da Europa, os espanhois disputarão a primeira final de Copa. Estão bem próximos, como nunca imaginaram. Uma geração de jogadores muito boa, talvez a melhor que já tiveram. Jogadores estes que deixaram de ser coadjuvantes dos estrangeiros nos principais clubes da Espanha. Hoje, são cortejados pelo mundo todo. E agora sonham com ele.

Mas não podemos deixar de parabenizar os alemães pelos serviços prestados ao futebol nesta Copa. O treinador Löw apostou na renovação, deu chance aos novatos, que não decepcionaram. Jogaram como gente grande. Nomes como Khedira, Özil e Müller vão infernizar muitas defesas por muito tempo. Acho que Löw foi duro consigo mesmo e com o time ao dizer que os espanhois mostraram o limite das possibilidades da sua equipe. A derrota foi dolorida, mas foi porque os alemães realmente estavam jogando o melhor futebol até então. A imagem da desolação de Schweinsteiger reflete o que foi esta semifinal. Como se tivesse levado uma tijolada no peito e olhado para trás. Difícil saber de onde veio o golpe.

Aliás, como as coisas são voláteis no futebol. Os alemães começaram como a “sensação” do torneio, depois perderam para os sérvios e poderiam ter caído na primeira fase. Mas ainda conseguiram se classificar em primeiro, moeram os ingleses e atropelaram os argentinos, que até aquela fase tinham o melhor ataque. Viraram favoritos ao título, o melhor futebol da Copa. Caíram. Os espanhois iniciaram o torneio como favoritos, perderam dos suíços logo na primeira rodada e tiveram que jogar a classificação diante dos chilenos. Classificaram-se em primeiro, mas o futebol apresentado não era lá essas coisas. Fizeram melhor diante dos portugueses, voltaram à inércia contra os paraguaios e ganharam com um gol chorado já na bacia das almas. Contra os alemães, futebol envolvente, vitória e novamente apontados como favoritos e melhores do mundo. O futebol dá voltas, é assim mesmo. Por isso o mundo para pra ver o joguinho.

Nenhum comentário: