domingo, 11 de julho de 2010

Apuntes da Copa (20) – Jogo de campeões

- Alemanha 3 x 2 Uruguai – Alemães em terceiro, uruguaios em quarto. Não são os postos que estes semifinalistas certamente almejavam. Afinal, ambos vinham de jogos memoráveis pelas quartas, tinham mais tradição em Copas que holandeses e espanhois. Não foi o suficiente. Mas ficou o reconhecimento pelas duas equipes que surpreenderam neste Mundial. Os germânicos estão quase sempre entre os quatro melhores e mesmo assim enfrentam a desconfiança. Desta vez, levaram um time jovem e que jogou um futebol bonito. Os uruguaios não chegavam tão longe há 40 anos e causaram espanto geral ao estarem entre os semifinalistas. Foram incansáveis em todos os jogos. E o último jogo foi novamente contra os alemães, numa disputa valendo o terceiro lugar, como no México, em 1970. E perderam de novo.

Não dá para fazer muitas análises deste jogo, pois a disposição e o ritmo dos jogadores não eram os mesmos das partidas anteriores. Sempre é um jogo mais aberto, franco, livre. Os uruguaios estavam mais interessados, jogavam pelo orgulho. Afinal, eram 40 anos! Os alemães estavam mais sisudos, ainda abatidos pela derrota frente aos espanhois. Era difícil não se enxergarem como finalistas depois de massacrarem ingleses e argentinos.

Mas foi um jogo bom, movimentado. Não muito técnico, mas cheio de emoção, com jogadores demonstrando muita vontade. Sem melancolia, com exceção de Klose, machucado, que não pode jogar e ultrapassar Ronaldo na artilharia dos Mundiais. Ficou perceptível também que Suárez e Müller fizeram muita falta às equipes nas semifinais. Os alemães começaram bem e fizeram o primeiro gol com Müller, após uma rebatida mal feita do goleiro Muslera no chute de Schweinsteiger. Os uruguaios equilibraram e empataram o jogo com Cavani e, na segunda etapa, viraram a partida num golaço de voleio do craque Forlán. Mas Muslera estava a fim de entregar mesmo e permitiu que Jansen empatasse o jogo. Pintava uma inédita prorrogação numa disputa de terceiro lugar. Porém, no final da partida, Khedira aproveitou uma rebarba na pequena área e, de cabeça, colocou os alemães novamente em vantagem. No último minuto, os uruguaios ainda tiveram uma falta perto da área e a chance da prorrogação inédita. Forlán bateu bem, mas a bola foi no travessão. Uma pena. Mereciam a prorrogação. Mereciam as medalhas também.

No final, foi possível ver os sorrisos dos alemães e o orgulho dos uruguaios. O jogo não valia o título, mas ali estava o reconhecimento pelo trabalho de ambos. Com certeza, os jogadores serão muito bem recebidos em seus países. Os treinadores Löw e Tabárez também. Os alemães saem muito fortalecidos desta Copa, com uma ótima impressão pelo futebol jogado. Esta geração de Özil, Müller, Khedira, Kroos, além dos já mais rodados Schweinsteiger e Podolski, promete para as próximas competições. Já os bravos uruguaios ressurgem para a elite do futebol ao estarem entre as quatro melhores seleções do mundo, à frente dos “badalados” brasileiros e argentinos. Forlán, que figura entre os artilheiros, Suárez, Cavani e companhia merecem nossos aplausos. Depois de passarem anos em Eliminatórias sofrendo e perdendo pontos importantes contra peruanos, venezuelanos e bolivianos, enfim, reconquistaram o merecido respeito. Lembraram ao mundo que são bicampeões do mundo.

No placar, três a dois. Ainda são três títulos para os alemães, dois para os uruguaios. Acima de tudo, um jogo de campeões.

4 comentários:

Andre de P.Eduardo disse...

Alemanha com meio time reserva, até o Neuer não jogou; sem Podolski, com chance pra alguns que não tinham jogado muito ou entrado. Achei muito digno a noção germânica de desportividade. Algo como "papel cumprido", ao mesmo tempo confiança no seu elenco como um todo, em toda a equipe. Nada de pensar em sandices pra obter a todo custo e medalha de terceiro lugar. Low preferiu testar Butt, Aogo, dar mais tempo a Kroos e Jansen, ver os meninos jogarem. Até o Lahm não deu as caras.

Thomas Muller de novo, esse moleque joga muito.

Ah, assim mesmo, Alemanha medalha de bronze.

Andre de P.Eduardo disse...

Soube que a galera ficou de fora do time porque estavam gripados. Bom, isso não anula a ideia de que Low tem muita confiança no elenco. Coisa que faltou ao Bert van Marwjik, que só teve um reserva na copa, Elia, preferiu De Jong ao Van der Vaart e poderia ter utilizado o Babel no lugar do Van Persie, que fez agora sua melhor partida na copa (ainda que não foi grande coisa).

Roberto disse...

Fórlan - craque da Copa... com todos os méritos...

Andre de P.Eduardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.