quarta-feira, 6 de julho de 2011

Mujeres y escenas

A zagueira Erika, da seleção brasileira, merecia uma menção aqui pelo golaço contra a Guiné Equatorial, na goleada por 3 x 0 pela Copa do Mundo Feminina. Como diria o garotinho Osmar Santos, "eeeeeeee queeeeee goooooooooolll"!


segunda-feira, 18 de abril de 2011

O que vale na comemoração do gol? (5)



Reproduzo texto do Blog do Flavio Gomes sobre a emoção proporcionada por um gol, nos minutos finais de uma partida. Algo que não tem preço para dois garotos, ali na arquibancada, acompanhando o clube do coração. Não importa o que dirão os jornais no dia seguinte, se foi armação ou não, se o campeonato é bom ou não, se o time tem chance ou não. Nada é mais real que a emoção de um gol, numa arquibancada, estampada na alegria de uma criança.

Vale Muito

Por Flavio Gomes

Aí, aos 44 do segundo tempo, o rapaz de nome Ananias fez o gol, e meus moleques pulam como nunca, gritam como nunca, abraçam o pai e os desconhecidos na arquibancada, e têm o diazinho mais feliz de suas vidas.

Aí eu abro os jornais no dia seguinte, e ouço as rádios e as TVs, e leio e ouço e vejo que esse campeonato não vale nada, que os grandes estão cheios de tédio, que isso tudo acabe logo para começar o que importa, o que vale.

E então percebo que estão, estamos, talvez, totalmente descolados da realidade. Como assim, não vale nada?

Vou contar uma historinha.

Meus meninos têm 12 e 11 anos. Vão aos jogos do seu time desde quando não conseguiam andar direito e eu tinha de carregar cada um num braço, e subir os degraus até lá no alto, porque eles gostavam de ver aquele campo enorme, um mundo novo e verde estava se revelando, com onze de cada lado, e uma porção de gente assistindo, e gritando, e xingando. Aprenderam a assistir, a gritar, a xingar, a cantar, aprenderam as regras sozinhos, tomaram posse daquele mundo que, no começo, era apenas uma imensidão verde que se via lá do alto, do último degrau.

Ontem, na arquibancada quente, de cimento, havia dezenas, centenas de garotinhos como eles. E eu vi seus olhinhos brilhando. Eu ouvi do meu mais novo, já no carro, voltando para casa, que ontem ele ia dormir mais leve.

E vêm os escribas e os locutores do alto de seus púlpitos e de sua pequenofobia para afirmar que não, isso não vale nada.

É uma espécie de bullying, uma crueldade talvez involuntária, mas ainda assim uma crueldade.

Que direito tem alguém de ir aos jornais ou à TV e dizer para uma criança de 11 ou 12 anos que sua alegria, sua felicidade, não vale nada? Quem foi que nos deu, a nós jornalistas esportivos, essa prerrogativa divina e sacra de dizer a uma criança qual o tipo de coisa pela qual vale a pena ficar feliz e chorar de alegria?

Eu vi os olhinhos dos meus meninos brilhando. Discretamente, um deles até enxugou algumas lágrimas. Eu até chorei, pai, disse no carro, e o outro disse que não chorou, mas quase.

Elas, essas lágrimas, valem muito. Mais do que todos os reais versus barcelonas desta e das próximas semanas, e de todos os que ainda hão de acontecer até o fim dos tempos.

Elas valem mais do que as cifras repletas de zeros que os jornais e as TVs brandem quando tratam do preço de um ganso, ou do valor de uma arena (arena?), ou dos direitos de transmissão.

Sobram números frios aos meus colegas, mas falta a eles o calor de uma arquibancada de cimento duro num domingo de sol. Falta a eles, e tem faltado a muita gente, olhar nos olhos de uma criança quando ela vê o goleiro do seu time subir no alambrado para olhar nos seus olhinhos. Falta ver de perto um garotinho arrancar a camisa suada e abraçar o pai com a cabecinha colada no peito junto ao distintivo.

Ninguém tem o direito de dizer que isso não vale nada. Ninguém tem o direito de dizer a uma criança que sua felicidade não vale nada, só porque ela eclodiu de repente num estádio antigo num torneio menor, e não diante de uma tela de LCD, com transmissão em HD, numa arena climatizada igualzinha às dos videogames.

A vida real, o futebol de verdade, não está num playstation, nem pode ser visto em HD. Na vida real, os olhinhos das crianças brilham no cimento duro da arquibancada quando seu time faz um gol, e dizer que aquele gol não vale nada é coisa de quem não está entendendo mais nada.

domingo, 27 de março de 2011

O jornalismo “fake”, personagens e um pouquinho assim de esporte

Reproduzo abaixo dois textos do jornalista Marco Aurélio Mello, editor especial do Jornal da Record, sobre o “abandono” do apresentador Tiago Leifert de sua conta no Twitter. Na verdade, Leifert não excluiu ou abandonou sua conta. Estava irritado com as cobranças de seus seguidores, que reclamavam da postura da Rede Globo ao não dar informações sobre a disputa dos direitos de transmissão do Brasileirão e sobre a possível instalação de uma CPI da CBF. Não adianta os jornalistas fingirem que nada acontece, pois serão cobrados pela postura da emissora. Aí, o universo “fake” cai por terra e precisarão demonstrar o que de fato são. Clique aqui para ir ao DoLaDoDeLá.


Sobre Castelos de Areia

Por Marco Aurélio Mello

Até ontem não havia meios de se cobrar um apresentador de TV. Ele era inalcançável. Um deus no panteão da emissora. Mas eu digo, as coisas estão mudando muito rapidamente. Começou com o "poderoso" apresentador do telejornal da noite daquela que já foi a maior e mais influente emissora de televisão do país, mas que hoje não consegue eleger um síndico de prédio. Em maio de 2010 ele surpeendeu mais de 500 mil seguidores no twitter ao anunciar que estava deixando o microblog. A decisão causou surpresa ainda mais porque ele tinha acabado de receber a maior comenda do gênero dois meses antes: o Shorty Awards, uma espécie de "Oscar". A culpa teria sido da hérnea de disco. Curiosamente outro astro acaba de deixar o universo mágico virtual, o apresentador do programa de esportes do horário do almoço. No caso dele foi até mais explícito: estava com medo de “perder a linha” com seus seguidores. O fato é que as pressões estavam enormes e o rapaz ainda é moço para aguentar o "peso das escolhas nas costas". Portanto, acaba de deixar orfãos 840 mil seguidores. O fato é que ninguém aguenta mais uma emissora de televisão torcendo o noticiário para beneficar seus negócios escusos. As pessoas começaram a entender que televisão é uma concessão de serviço público e que essa turma aí tem sim que prestar contas ao telespectador. Brasileirão, obras da Copa de 2014, nova CPI da Bola, o público quer notícia isenta e com qualidade. Se não encontrar lá vai procurar em outro lugar. Simples assim. Por isso, é bom que quem não esteja acostumado a prestar contas de suas escolhas fique mesmo encastelado. Só que uma hora a torre pode sucumbir. E quase sempre toda solidez se desmancha como areia diante da força do mar.


Sobre Castelos de Areia (segunda parte)

Por Marco Aurélio Mello

Alguém pode dizer: que implicância a sua com apresentadores. Não é pela pessoa deles, é pelo que eles viraram. Explico. A televisão projeta você para o mundo. Uma televisão com muito alcance transforma uma pessoa em celebridade da noite para o dia. Só que ela não é o que é de fato. Ela é uma projeção daquilo que lê para a câmera, emoldurada pelos traços físicos que tem. A partir dessa combinação cria-se um outro "eu", uma terceira pessoa, um híbrido. O problema é que muitos começam a confundir esse novo "eu" com o que são de fato. É como se emprestassem o corpo para essa outra alma que não conhecem por inteiro. Por isso, quando um profissional que aparece na telinha tenta ser ele mesmo numa rede de relacionamentos como o twitter, por exemplo, vai ter que, obrigatoriamente, encarar seu "eu" original. E é aí que a coisa pega. Pega porque seus seguidores não querem o "eu" original, mas sim a projeção consagrada pela telinha. Então, por mais que queiram ser quem são isso se torna impossível. É quando surge uma enorme crise de identidade. Um feitiço, que só pode ser desfeito se a projeção da sua imagem for rigorosamente a imagem que ele tem de si próprio e isso é raro. Com os artistas é diferente porque o público sabe que na ficção eles estão descolados de seu "eu" original. No jornalismo não funciona assim. Para o público, jornalismo não é ficção, é realidade. Por esse raciocínio talvez fique mais fácil entender porque há tantos repórteres e apresentadores que vem e vão e ninguém nota. Eles são robotizados nos gestos, no figurino, na voz e na entonação. Eles são apenas a imagem projetada pela TV que, com o tempo, darão lugar a outra parecida. Só os que conseguem ser o que são de fato sobrevivem, independentemente do meio em que estão. Para todos os outros vale a metáfora do castelo de areia do post anterior.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O futebol, seus donos e capangas

Parecia que a Rede Globo tinha levado um duro golpe quando o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) definiu que a emissora carioca não teria mais prioridade na aquisição dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Antes não havia disputa. Bastava à Globo cobrir o valor ofertado pelas rivais para levar todos os direitos de transmissão, na tevê aberta, fechada, pay-per-view e internet. Agora não. Com a deliberação do CADE, Clube dos 13 e Rede Globo assinaram um termo de compromisso definindo transparência no processo. Agora a emissora teria que brigar de igual para igual com as outras interessadas, como numa licitação pública, com ofertas apresentadas em envelopes fechados.

O reinado parecia ameaçado. Record e RedeTV poderiam entrar com força na disputa, oferecendo um valor mais alto e colocariam em sério risco a liderança de audiência da emissora dos Marinho. Isso apenas na tevê aberta. O Clube dos 13 já havia definido que os direitos de transmissão na tevê a cabo, pay-per-view e internet seriam licitados separadamente, ou seja, as teles (Oi e Telefônica) teriam grande oportunidade de fechar negócio. Pelo tratado, não se resolverá a questão do monopólio, uma vez que o ganhador terá os direitos exclusivos do torneio, mas seria quebrada uma longa hegemonia da Globo nas transmissões. Mas o que seria de uma grande emissora, que detém há décadas os direitos do principal campeonato nacional, se não fossem os amigos, parceiros e clientes angariados ao longo desse tempo.

A Globo dispõe de grandes aliados no “certame” e não jogaria a toalha tão facilmente. Entre os maiores aliados estão o presidente da CBF Ricardo Teixeixa e o presidente do Corinthians Andres Sanchez, que sempre deram tratamento privilegiado àquela emissora. A razão é simples: a Globo sempre foi uma ótima parceira comercial para ajudar a fechar contratos. Não seria agora que não estenderiam a mão a um grande amigo, a quem devem tantos favores

Assim, algumas movimentações nos bastidores (um tanto “estranhas”) trouxeram mais incertezas para a disputa dos direitos de transmissão e, também, para o futuro do Campeonato Brasileiro.

Já corria na imprensa que o valor mínimo estipulado pelo Clube dos 13 para aquisição dos direitos na tevê seria de R$ 500 milhões. Logo, a Globo blefou, dizendo que por aquele valor não entraria na disputa, uma vez que os ganhos não cobririam o valor pago. O edital ainda prevê um ágio de 10% a favor da Globo em relação às propostas das concorrentes, uma pequena vantagem para a emissora detentora da maior audiência, porém nada definitivo para uma licitação com propostas apresentadas em envelope fechado. Quando achávamos que, pela primeira vez, aconteceria uma disputa equilibrada, eis que a Globo traz seus parceiros à cena para “melar” o jogo.

Andres Sanchez foi o primeiro. Dizendo não concordar com os rumos da licitação encaminhada pelo Clube dos 13, solicitou a desfiliação da entidade. Negociaria os direitos do Corinthians separadamente, alegando conseguir um valor maior que o negociado pela entidade dos clubes (?). Depois, foi a vez de Ricardo Teixeira anunciar, para espanto geral, que a CBF passaria a reconhecer também o Flamengo como legítimo Campeão Brasileiro de 1987, sendo que há poucas semanas fora dada ao São Paulo a guarda definitiva da “Taça das Bolinhas”. Mas se a CBF teve 24 anos para reconhecer o título, por que o fez justo agora? Era o exato momento para reaproximar o Flamengo da CBF e afastá-lo do Clube dos 13. Rapidamente, a presidenta do Flamengo Patrícia Amorim também anunciou a debandada do grupo, levando consigo os outros grandes clubes do Rio de Janeiro. Há outros clubes pensando em debandar, mas querem esperar as propostas da licitação. Já os presidentes de Atlético Mineiro e São Paulo afirmam que todos os clubes ganharão se concordarem com o edital proposto do jeito que está e que a desagregação do grupo seria prejudicial para a negociação dos direitos de transmissão.

A Globo conseguiu o que queria: prejudicar todo o processo. Ao tentar esvaziar o Clube dos 13 e fazer com que os clubes queiram negociar os direitos separadamente, cria-se uma enorme incerteza sobre o futuro da própria competição e a emissora carioca sai de uma condição vulnerável para novamente demonstrar todo seu poder de cooptação. A abertura dos envelopes está marcada para 11 de março, mas talvez quem der o lance maior não leve o produto que realmente almejava. Talvez a licitação nem ocorra. A Globo, com ajuda dos principais “amigos” no futebol, tenta atravancar esse momento de definição de rumos da própria mídia. Em vez de futebol, a Globo impõe sua novela, manipulando seus personagens.

===============

Para enriquecer a discussão, há muitos textos interessantes pipocando na blogosfera. Luis Nassif fala sobre a primeira grande batalha da Globo para manter seu posto hegemônico. Rodrigo Vianna cita a disputa entre Globo, Record e membros do Clube dos 13, além de destacar o exemplo argentino do futebol na tevê pública. Marco Aurélio Mello traz discussões pontuais sobre o que há por trás das negociações pelos direitos de transmissão do futebol aqui, aqui e aqui, além dos bastidores do rompimento de Andres Sanchez com o Clube dos 13 aqui. Quem indicar outros textos, vou atualizando aqui também.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Futebol que arrepia

Apenas para quebrar a monotonia, um vídeo de arrepiar. Acompanhando o "joguinho", assisti muitos gols bonitos, lances de rara beleza, alguns craques e gênios fazendo coisas maravilhosas com a bola. Na maior parte das vezes, os lances belos surgiam do mérito individual do jogador destacado do elenco, daquele que se diferenciava dos demais.

No entanto, nada do que vi no futebol se compara ao jogo coletivo da Seleção Brasileira de 1982. Lances de pura genialidade coletiva. Aquilo era arte, mesmo. Esta semana, já tinha assistido a um filme do Kieślowski, La double vie de Veronique, de pura contemplação, com cenas belíssimas, como a do teatro com as bonecas. E agora deparei-me por acaso com este vídeo da Seleção Brasileira no twitter do Flavio Gomes. Arrepiei-me novamente. Vontade enorme de estar lá naqueles estádios, apenas contemplando.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A “surpresa” de Messi

Devia ser uma sensação estranha para os jogadores que concorriam ao prêmio de Melhor do Mundo. Xavi e Iniesta fizeram uma excelente temporada. Jogaram como nunca. Iniesta fez até gol na final da Copa. Ambos são companheiros de time de Messi, que tivera uma temporada fantástica, muito superior a dos colegas concorrentes. Mas os espanhois tinham o “trunfo” que lhes garantia a condição de favoritos: o título da Copa do Mundo. Desde que a Bola de Ouro foi criada, apenas em 1974 o jogador eleito como “melhor do mundo” não fazia parte da seleção campeã mundial, honra exclusiva até então do holandês Johan Cruyff, numa época em que apenas jogadores europeus concorriam ao prêmio da revista France Football. Pelo retrospecto, Xavi e Iniesta estavam com a “mão na taça”, com ligeira vantagem para o segundo pelo gol na final contra os holandeses.

Difícil imaginar, mas o “azarão” da festa era Messi. Os dribles, as jogadas incríveis, os passes, as tabelas, os 60 (!) gols marcados no ano pelo Barcelona e seleção argentina não pareciam ser suficientes para lhe garantir o título de Melhor do Ano. Seguindo a tradição, o prêmio não lhe caberia, já que os argentinos fracassaram na Copa e Messi não marcou um gol sequer no torneio.

Uma situação inusitada: Xavi e Iniesta sabiam que o argentino tivera uma temporada infinitamente superior, mas eram tidos como favoritos, enquanto Messi era desacreditado, mesmo tendo jogado o melhor futebol em 2010.

Quando Guardiola abriu o envelope e leu o nome de Lionel, o argentino suspirou incrédulo. Por um instante, tinha acreditado mais na palavra da imprensa do que em seu próprio desempenho no ano anterior. Não que Lío desdenhasse de seu próprio futebol, mas se tratava de uma grande façanha superar o retrospecto das premiações anteriores, da condescendência dos votantes com jogadores campeões do mundo por suas seleções. Jornalistas e treinadores entenderam que não havia nenhum outro jogador que tivesse feito mais que Messi.

De fato, o Barcelona vive um momento mágico com seus três finalistas ao prêmio de melhor jogador do mundo. No entanto, apenas um deles faz magia com a bola. Messi continua driblando todos em seu caminho.