quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A “surpresa” de Messi

Devia ser uma sensação estranha para os jogadores que concorriam ao prêmio de Melhor do Mundo. Xavi e Iniesta fizeram uma excelente temporada. Jogaram como nunca. Iniesta fez até gol na final da Copa. Ambos são companheiros de time de Messi, que tivera uma temporada fantástica, muito superior a dos colegas concorrentes. Mas os espanhois tinham o “trunfo” que lhes garantia a condição de favoritos: o título da Copa do Mundo. Desde que a Bola de Ouro foi criada, apenas em 1974 o jogador eleito como “melhor do mundo” não fazia parte da seleção campeã mundial, honra exclusiva até então do holandês Johan Cruyff, numa época em que apenas jogadores europeus concorriam ao prêmio da revista France Football. Pelo retrospecto, Xavi e Iniesta estavam com a “mão na taça”, com ligeira vantagem para o segundo pelo gol na final contra os holandeses.

Difícil imaginar, mas o “azarão” da festa era Messi. Os dribles, as jogadas incríveis, os passes, as tabelas, os 60 (!) gols marcados no ano pelo Barcelona e seleção argentina não pareciam ser suficientes para lhe garantir o título de Melhor do Ano. Seguindo a tradição, o prêmio não lhe caberia, já que os argentinos fracassaram na Copa e Messi não marcou um gol sequer no torneio.

Uma situação inusitada: Xavi e Iniesta sabiam que o argentino tivera uma temporada infinitamente superior, mas eram tidos como favoritos, enquanto Messi era desacreditado, mesmo tendo jogado o melhor futebol em 2010.

Quando Guardiola abriu o envelope e leu o nome de Lionel, o argentino suspirou incrédulo. Por um instante, tinha acreditado mais na palavra da imprensa do que em seu próprio desempenho no ano anterior. Não que Lío desdenhasse de seu próprio futebol, mas se tratava de uma grande façanha superar o retrospecto das premiações anteriores, da condescendência dos votantes com jogadores campeões do mundo por suas seleções. Jornalistas e treinadores entenderam que não havia nenhum outro jogador que tivesse feito mais que Messi.

De fato, o Barcelona vive um momento mágico com seus três finalistas ao prêmio de melhor jogador do mundo. No entanto, apenas um deles faz magia com a bola. Messi continua driblando todos em seu caminho.